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O Trabalho de C von Bönninghausen

Introdução

Os repertórios de C. von Bönninghausen, especialmente seu Manual Terapêutico (Pocket Book), foram utilizados durante mais de 165 anos por mestres da prática homeopática. Eles caíram comparativamente em desuso durante os últimos 120 anos devido ao fato J.T. Kent e também C. Hering eventualmente terem escrito textos contrários a eles. Kent o fez devido a razões econômicas, para promover seu próprio repertório, e consequentemente, poucos homeopatas atuais têm conhecimento das bases filosóficas de C. von Bönninghausen e seus princípios práticos de repertorização.

O propósito não é evidenciar a superioridade de nenhum repertório geral em detrimento a outro; mas nosso intuito é demonstrar a filosofia básica e as aplicações práticas do trabalho de C. von Bönninghausen aos casos encontrados na prática homeopática diária. A partir do momento em que seus princípios tiverem sido assimilados e utilizados inúmeras vezes em combinação com a técnica Kentiana de repertorização, resultados muito mais positivos poderão ser alcançados.

Vamos utilizar todos os métodos a nosso dispor para assegurar a cada paciente seu simillimum, que é sua única esperança de cura, e permitir-nos fazê-lo com a maior compreensão possível das leis naturais, e com a aplicação dessas leis de maneira prática, como observadas em nossa literatura homeopática. Não devemos esquecer de que cada homem que tenha trabalhado construtivamente para a homeopatia, adicionou algo a alguma lei ou diretriz básica já existente; se formos utilizar esses trabalhos, poderemos ver a sabedoria do passado florescer nas curas do presente.

Den Haag, 20 de março de 2002, Roger van Zandvoort, após T.F. Allen

C von Bönninghausen (1785-1864)

O Barão Clemens Franz Maria von Bönninghausen nasceu nos Países Baixos em uma propriedade de seu pai. Sua linhagem familiar é traçada por ancestrais vestfalianos e austríacos, tendo um de seus ancestrais sido nomeado Marechal de Campanha por Ferdinando II da Austria em 1632. Durante séculos a família esteve devotada a carreiras militares, e a fortuna da família era razoável.

Sua infância foi vivida no campo, e em conseqüência disso, iniciou tardiamente sua educação, mas após iniciada, seu progresso foi rápido. Ele se graduou na Universidade Holandesa em Groningen com o grau de Doutor em Leis Civis e Criminais, e a partir daí, durante muitos anos, ele preencheu posições árduas e influentes na corte de Louis Napoleon, Rei da Holanda, permanecendo no Serviço Civil Holandês até a renúncia do rei em 1810, quando também renunciou ao Serviço Holandês. Em 1812, casou-se e foi para uma das propriedades da família que mais tarde se tornou a Prussia Ocidental. Ele se empenhou em desenvolver agricolamente a propriedade, e se tornou muito interessado em agricultura e ciências afins, particularmente a botânica. Devido ao seu interesse no desenvolvimento de fontes agrícolas, ele manteve contato com os mais proeminentes agricultores da Alemanha, e formou a primeira sociedade agrícola na região ocidental da Alemanha. Com o reconhecimento das províncias Prussianas de Rhineland e Westphalia em 1816, lhe foi oferecido o cargo de Presidente da Corte de Justiça Provinciana do distrito de Westphalia. Como parte de suas obrigações, foi convocado a atuar como único Juiz Presidente na avaliação das terras nas duas províncias, em razão de seu conhecimento técnico de agricultura e valores imobiliários. Esse trabalho requeria inúmeras viagens, e mais tarde, seus compromissos exercidos durante a função de Comissário Geral o mantiveram viajando constantemente através das províncias.

C. von Bönninghausen utilizou diligentemente essas oportunidades para estudar a flora das províncias, e publicou um livro cobrindo a abundante flora nesses distritos, o que chamou para si a atenção de alguns dos melhores botânicos da Europa; esses botânicos se tornaram ainda mais próximos a ele devido ao seu cargo, nessa época, de Diretor do Jardim Botânico de Münster. Seus escritos sobre agricultura e botânica lhe trouxeram honrarias como diplomas de muitas sociedades conhecidas, e dois proeminentes botânicos daquela época nomearam um gênero de planta em sua homenagem.

Em 1827 ele sofreu um problema de saúde, que até então tinha sido sempre excelente. Dois dos mais famosos médicos consultados declararam ser tuberculose purulenta. Sua saúde continuou a decair até a primavera de 1828, quando toda a esperança em sua recuperação estava perdida. Nesse período, ele escreveu uma carta de despedida a um botânico amigo seu, Dr. A. Weihe, que foi o primeiro médico homeopata na província de Rhineland e Westphalia, apesar de C. von Bönninghausen ignorar o fato, pois suas correspondências só se atinham a assuntos botânicos, nunca médicos. Weihe ficou muito comovido pelas notícias e respondeu a carta de C. von Bönninghausen imediatamente, pedindo mais detalhes sobre seus sintomas e expressando a esperança de que através no novo método curativo ele poderia salvar um amigo que lhe valia tanto. Na carta que enviou como resposta à de C. von Bönninghausen, Weihe enviou também algumas doses de Pulsatilla, que C. von Bönninghausen tomou de acordo com as instruções, acompanhada de avisos que Weihe lhe enviou sobre medidas higiênicas. A melhora de C. von Bönninghausen foi gradual mas constante, até que no final do verão ele foi considerado curado.

Esse acontecimento produziu em C. von Bönninghausen uma certeza inequívoca dos resultados do tratamento homeopático, e ele se aprofundou no assunto. Ele se tornou muito interessado nos princípios no novo método de tratamento, e deu o melhor de si para criar um interesse entre os médicos em relação a homeopatia, com os quais ele mantinha contato, já que era um dos fundadores da sociedade médica de Münster; mas eles permaneciam surdos aos seus argumentos, e então ele mesmo partiu para ensinar a matéria através dos livros que conseguiu obter. Em seu período universitário, ele obteve algum conhecimento médico, apesar de não ter se graduado como médico. Dois dos médicos mais idosos se tornaram interessados na homeopatia através da cura, por C. von Bönninghausen, de alguns de seus casos mais difíceis, e permaneceram fieis a homeopatia durante o resto de suas vidas. Durante esse período, a fama de C. von Bönninghausen se disseminou até a França, Holanda e América, e ele através de esforços literários e correspondências, ganhou novos adeptos da doutrina de curar entre os médicos dessas regiões. Durante esse período, por não ser um médico formado, ele clinicou pouco, mas promoveu a causa através de seus esforços literários, que foram estendidos no intuito de tornar a prática homeopática mais fácil. Nesse período, você deve lembrar, não existiam atalhos para facilitar o estudo da homeopatia. Nenhum repertório, com exceção de um resumido, em latim, escrito pelo próprio Samuel Hahnemann, que foi publicado como um índice para guiar a indicação do remédio homeopático, e muitas horas deveriam ser devotadas ao estudo de medicamentos antes do verdadeiro retrato aparecer. Jahr não publicou seu primeiro repertório antes 1834, e em sua quarta edição, ele escreve um prefácio no qual ele dedica a C. von Bönninghausen o crédito pelo sistema de avaliação dos medicamentos que ele (Jahr) somente então começou a utilizar; sua quarta edição foi publicada em 1851.

O Rei Friedrich Wilhelm IV, na data de 11 de julho de 1843, enviou a C. von Bönninghausen um documento permitindo que ele praticasse a medicina sem nenhuma restrição.

A partir de 1830, C. von Bönninghausen esteve em contato direto com Hahnemann , até o final da vida deste, e durante o resto de sua vida, C. von Bönninghausen esteve em contato próximo com todos os homeopatas praticantes. Entretanto, seu trabalho literário se tornou muito dificultado após sua permissão para clinicar livremente, e ele não pode publicar seus livros tão freqüentemente como antes, apesar de dedicar muito tempo a esse afazer. É interessante notar que seus trabalhos mais recentes se tornaram muito disseminados entre os interessados na nova doutrina, e praticamente todo o homeopata praticante tinha os trabalhos de C. von Bönninghausen em sua biblioteca.

A seguir são listados os trabalhos de C. von Bönninghausen em sua ordem de publicação:

A Cura do Cólera e Suas Prevenções ( de acordo com a última comunicação de Hahnemann ao autor). 1831

Repertório dos Medicamentos Antipsóricos, com prefácio de Hahnemann. 1832

Resumo da Esfera de Ação Principal dos Remédios Antipsóricos e de Suas Peculiaridades Características, como um Apêndice ao Repertório deles. 1833

Uma Tentativa de Tratamento Homeopático da Febre Intermitente. 1833

Contribuições para o Conhecimento das Peculiaridades dos Medicamentos Homeopáticos. 1833.

Dieta homeopática e a Imagem Completa de uma Doença (para o público leigo) 1833

Homeopatia, um Manual para o Público Não Médico. 1834

Repertório dos Medicamentos não Antipsóricos. 1835

Tentativa de Demonstrar a Relativa Semelhança dos Remédios Homeopáticos. 1836

Manual Terapêutico para Médicos Homeopatas, para o uso à cabeceira do doente e no auxílio ao estudo da Matéria Médica Pura. 1846

Instruções Resumidas para os Leigos na Prevenção e Cura do Cólera.1849

Os Dois Lados do Corpo Humano e Suas Relações. Estudos Homeopáticos. 1853

O Homem. A Medicina Doméstica em Breve Diagnóstico Terapêutico. Uma Tentativa. 1853

O Tratamento Homeopático da Coqueluche em suas Várias Formas. 1860

Os Aforismos de Hipócrates, com Notas de um Homeopata. 1863

Tentativa de Tratamento Homeopático das Febres Intermitentes e Outras, especialmente para futuros médicos. Segunda Edição Revista e Aumentada.
Parte I

A Pirexia. 1864

Após sua permissão para a prática da medicina, C. von Bönninghausen fundou a sociedade dos homeopatas médicos na Westphalia, que floresceu por muitos anos com o interesse crescente dos médicos que C. von Bönninghausen trouxe para junto de si.

C. von Bönninghausen era amígo íntimo de Adolph Lippe, e também de Carrol Dunham. Ambos expressaram sua apreciação pelo acompanhamento que C. von Bönninghausen fez no quarto volume da Revisão Homeopática Americana. Lippe menciona especialmente o trabalho repertorial de C. von Bönninghausen e sua precisão, e se perguntam se não foi isso que acendeu seu interesse no trabalho repertorial, que o filho de Lippe levou adiante até sua forma completa.

Dos seus sete filhos, os dois mais velhos escolheram a medicina homeopática como profissão, o que para ele foi uma satisfação. O mais velho dos dois clinicou um período na vizinhança de seu bairro natal, indo depois para Paris, onde se casou com a filha adotiva da viúva de Hahnemann. Ele morou com Madame Hahnemann e sua filha e teve acesso aos manuscritos e à biblioteca de Hahnemann.

Usos do Repertório

O uso inteligente do repertório implica no entendimento correto do objetivo do repertório, assim como de sua proposta. Poderemos perguntar: O que é um repertório? A resposta pode ser: Um repertório é um índice de sintomas estruturados sistematicamente. O sistema estrutural pode ter sua fundamentação em princípios diretores definidos; ou pode ser alfabético ou esquemático.

Poderemos novamente perguntar: Qual é o objetivo de um repertório? Nossa resposta pode ser: Um repertório apresenta dois objetivos definidos: 1. Servir de referência e guia na busca de um sintoma particular que pode indicar um simillimum, ou que pode tornar necessária a distinção entre dois ou mais medicamentos similares em um determinado caso; 2. Para o estudo cuidadoso de todos os sintomas que podem surgir nos casos crônicos.

O repertório não foi planejado para o uso naqueles casos em que existem claras indicações do simillimum. Nesses casos os sintomas adicionais que podem ser extraídos do paciente sob pressão de interrogatório, possivelmente confundiriam um caso que já está praticamente esclarecido; se o repertório for utilizado aqui, ele pode ser utilizado como uma forma de referência rápida para verificar as indicações corretas do remédio, ou se houver alguma pequena dúvida, para diferenciar entre aqueles aparentemente indicados. Nos casos claramente indicados, mesmo se a repertorização encontrar o retrato, para o estudante da Matéria Médica terá sido uma perda de tempo.

Por outro lado, devemos levar em consideração aqueles homeopatas que ainda não tem um extenso conhecimento da Matéria Médica; e para considerar ainda mais, naqueles casos crônicos onde inúmeros medicamentos emergem somente em esboços sombreados de um fundo que são o cruzamento de sintomas crônicos ainda mais intrincadamente entrelaçados. Existem inúmeros casos desse tipo que chegam ao médico homeopata, casos estes que sofreram muito em muitos médicos; casos mal-gerenciados inúmeras vezes, superpostos ao estresse circunstancial e ainda com tendências hereditárias. Esses casos raramente demonstram um retrato claro com uma única indicação medicamentosa, e freqüentemente não mostram um grupo relacionado de medicamentos. Freqüentemente é impossível ver qualquer semelhança medicamentosa nesse grupo de sintomas sem uma repertorização cuidadosa, mas com essa análise nós poderemos observar não somente o único remédio indicado, mas também traçar a seqüência provável de medicamentos que podem ser necessários para trazer o caso a cura desejada, para que seja possível prever a possível seqüência de remédios, por períodos, assim que pudermos olhar para a história pregressa e ver as indicações dos vários remédios nos vários períodos da vida pregressa do paciente.

O valor de qualquer repertório depende de inúmeros elementos:

I. Da arte do homeopata na tomada de caso

II. Do conhecimento do repertório que se está tentando utilizar:

(a) Sua base filosófica

(b) Sua estruturação

(c) Suas limitações

(d) Sua adaptabilidade

III. Do uso inteligente da análise dos resultados

A Arte do Homeopata na Tomada de Caso

Ela abrange a arte do homeopata na obtenção da confiança do paciente e a coleta de seus sintomas subjetivos, mentais, corporais e espirituais, que são parte integrante dos distúrbios pelos quais ele veio procurar ajuda; ela engloba também a arte de observação daqueles sintomas observáveis, além da atmosfera irradiada pelo paciente, que mascara os sintomas objetivos em seu contexto mais amplo. Essa combinação de sintomas objetivos e subjetivos, contém o que podemos denominar de caso. Além disso, a arte do homeopata na tomada do caso também deve abranger o que devemos registrar desses dados; aqueles elementos que podem ser traduzidos inteligentemente em rubricas repertoriais, ou que podem ser deixados de lado para uma comparação com a Matéria Médica após a totalidade de sintomas ter sido traduzida, e utilizada, como rubricas na repertorização.

Entretanto, nós freqüentemente achamos ser impossível extrair do paciente um retrato claro de suas dificuldades, apesar da melhor arte que o homeopata possa exercer.

O próprio C. von Bönninghausen reconheceu que apesar da melhor tomada de caso possível, os registros são frequentemente compilados de maneira fragmentada ou incompleta. Em algumas situações as localizações ou partes não estão claramente definidas. Em outras, as sensações ou distúrbios não estão descritos de maneira inteligível. Mais freqüentemente, as modalidades de agravação e melhoria de sintomas particulares, ou da condição geral do paciente, não podem ser definidas devido a dificuldade de observação do paciente. Pode ser que o paciente não consiga definir que relações um sintoma teria com outro assim como os horários, locais e circunstâncias, se houvessem grupos de sintomas alternantes. Nessas modificações sintomáticas, como as modalidades de agravação ou melhoria, jazem as chaves que permitem o acesso à similitude dos remédios para o caso em questão; e em qual graduação encontramos a relação entre os sintomas valiosos.

C. von Bönninghausen compreendeu as dificuldades encontradas pelos homeopatas na obtenção de um retrato completo do caso, e suas comparações entre os registros de seus casos e os registros de experimentadores o convenceu de que a mesma falta de observação existente nos pacientes, existia nos experimentadores.

Notando essas deficiências na Matéria Médica, e portanto compreendendo a importância das modificações dos sintomas auxiliares e concomitantes da doença, C. von Bönninghausen observou e coletou diligentemente durante muitos anos todos esses sintomas como surgiam nos casos que vinham para tratamento. Todos os casos eram examinados sintomaticamente, sempre com esse propósito em vista , ou seja, tornar cada sintoma tão completo o possível em si, cobrindo os pontos específicos de localização, sensação, modalidades de agravação e melhoria, e os concomitantes ou a coexistência de outros sintomas sob as mesmas circunstâncias.

Ele logo se deu conta de que sintomas incompletos existentes em alguma parte de um determinado caso poderiam ser confiavelmente complementados por analogia, através da observação das modalidades de outras partes desse mesmo caso. Se por algum motivo, não era possível através da anamnese do paciente determinar o que agravou ou melhorou em um determinado sintoma do caso, o paciente não demoraria a expressar uma condição de agravação ou melhoria de outro sintoma. Não demorou muito para descobrir que as modalidades de agravação ou melhoria não estavam confinadas a esse ou aquele sintoma em particular; mas que, como a linha vermelha do cordame da Marinha Britânica, eles se aplicavam a todos os sintomas do caso.

C. von Bönninghausen nos conta em seu Prefácio, página ix: Š Sob determinado ponto de vista as modalidades indicadas de agravação e melhoria apresentam uma relação muito mais significativa com a totalidade do caso e com seus sintomas singulares do que usualmente se supõe; eles nunca estão confinados exclusivamente a um ou outro sintoma, mas, ao contrário, muito freqüentemente a escolha correta do medicamento a ser prescrito depende deles.

Então na verdade, elas são as características gerais. Através da observação e aplicação desse princípio ele foi capaz de complementar inúmeros sintomas oriundos da observação clínica; e a experiência revelou a verdade e confiabilidade desse método.

A totalidade sintomática e seu similimum correspondente buscados pelo homeopata, são ambos baseados na mesma idéia. Quando examina um caso, ele colhe o que aparenta ao aprendiz ser um amontoado de sintomas heterogêneos, ou fragmentos de sintomas. Possivelmente pode não parecer haver um sintoma completo nos registros anotados. Ele encontrará uma sensação claramente expressa em alguma parte, mas nenhuma condição de agravação ou melhoria. Em outra parte, uma condição claramente expressa de agravação ou melhoria, mas uma sensação indefinida; ou quem sabe o paciente simplesmente trará uma condição de agravação ou melhoria que se refere simplesmente a ele como um todo. Ele diz: “eu me sinto pior” desta ou daquela condição.

Na realidade, o paciente não está expressando muitos sintomas, mas somente partes pequenas de sintomas completos, que o homeopata deve reunir e completar. Os sintomas perceptíveis da doença estão freqüentemente fragmentados e dispersados através das diferentes partes do organismo do paciente. As partes dispersadas devem ser encontradas e agrupadas em uma relação harmônica de acordo com a maneira usual.

C. von Bönninghausen deu prosseguimento ao fundamento Hahnemaniano de que é o paciente que está doente << não sua cabeça, nem seu olho, nem seu coração. Cada sintoma que se refere a uma parte pode ser um atributo do homem por inteiro. Se existe uma dor em pontada no olho, ela pertence a esse paciente, e a dor em pontada é anotada como uma característica de suas queixas gerais. Se o movimento das pernas, como o de caminhar, aumenta a dor nos olhos, < com movimento, é anotado como referente a totalidade‹ do próprio paciente. Se ele tem ao mesmo tempo calafrios ao se mover, e náusea com ânsias de vômito, eles são anotados como sintomas concomitantes, partes que irão compor o todo do sintoma maior ou típico, chamado de totalidade. Na verdade, a totalidade é simplesmente o retrato completo da doença. A totalidade é para a doença o que o homem, o ego, é para o organismo. É isso o que determina individualidade e personalidade.

Igualmente, cada sintoma particular é composto de localização, sensações, e modalidades de agravação ou melhoria, e então a totalidade é composta de características gerais de sintomas particulares acrescidos das modalidades ( que não podem ser atribuídas a uma só parte) sob as mesmas divisões gerais de localização, sensações e modalidades.

Para uma breve e compreensível classificação da sintomatologia homeopática para fins terapêuticos, nenhum método foi considerado superior, ou equivalente, àquele de C. von Bönninghausen. O projeto é fundamental, e provavelmente final, devido ao fato de estar baseado sobre princípios lógicos, e ter sido corroborado pela experiência de 165 anos.

Algumas partes do método de C. von Bönninghausen foram criticadas, principalmente por C. Hering e J.T. Kent, que objetaram que C. von Bönninghausen torna muito ampla uma aplicação dos princípios de concomitância ou associação e generalizou as modalidades. C. von Bönninghausen reconheceu que a proposta estava muito aberta, como colocou, “um caminho no vasto campo das combinações”. Em outras palavras, seus repertórios tinham a finalidade de servir como índice para os remédios similares, e a mente cuidadosamente treinada do homeopata encontraria entre estes o medicamento mais similar.

Os sintomas da Matéria Médica, como os sintomas que aparecem nas doenças, podem ser reduzidos a certas formas fundamentais, correspondendo ao gênero e espécie da Biologia, ou aos gerais e particulares da lógica. C. von Bönninghausen os denominou de sintomas primários e secundários. Estes são os componentes da sintomatologia. De maneira similar, cada sintoma em particular, primário ou secundário, pode ser reduzido aos seus componentes de localização, sensação e modalidades.

Esses sintomas primários e secundários não estavam tão relacionados aos horários tanto quanto como sua relação com o caso; em outras palavras, aqueles sintomas que aparentavam ter um significado direto em relação à queixa, e o outro grupo de importância praticamente igual, os sintomas concomitantes.

Os sintomas surgem em combinações constantemente variáveis tanto na experimentação como na doença. A forma que os sintomas podem assumir em qualquer caso em particular é governada pelas peculiaridades do indivíduo. No conjunto de sintomas, entretanto, a equação pessoal regula todos os casos individuais. Todos os casos de reumatismo por exemplo, apresentarão alguns sintomas em comum‹ os sintomas diagnósticos; mas juntamente com esses sintomas comuns, cada caso apresentará o que Hahnemann denomina de sintomas raros, estranhos e peculiares (característicos), sintomas que representam o fator individual no caso, sintomas que o diferenciam de outros casos de seu grupo. Esses sintomas variam em cada caso.

A doutrina Hahnemaniana diz que esses sintomas realmente representam o que é curável em cada caso de doença, e eles são portanto a base da prescrição homeopática. É para esses sintomas raros, estranhos e peculiares que o remédio similar deve ser encontrado, ao invés dos sintomas gerais, que aparecem comumente em praticamente todos os casos.

Esse conjunto de sintomas livres, podemos tentar denomina-los de “fora da lei”, sempre foram o maior ponto de hesitação para a prescrição. Isso levou a um agrupamento arbitrário de sintomas e o surgimento das denominadas formas típicas para as quais os nomes foram designados, como se fossem entidades reais. Além disso, essas formas ou entidades artificiais se tornaram o objeto de tratamento, e a busca por especificidade continua incessantemente. Naturalmente, essa busca é inútil, e o tratamento é falho, pelo simples fato de que as formas típicas como aparecem nos livros texto nunca são encontradas na prática, já que faltam para eles nos livros texto os sintomas raros estranhos e peculiares, que proporcionam individualidade a cada caso encontrado na prática. Em todos os casos encontramos alguns sintomas típicos e muitos atípicos, sintomas que pertencem ao indivíduo, os concomitantes da doença, sintomas isolados.

C. von Bönninghausen aplica os princípios da concomitância quando, em um caso obscuro, ele proporciona ordem ao caos através da combinação dos fragmentos dispersados de sintomas em um único ou em sintomas mais típicos fixando a localização em uma determinada parte, pegando a característica das sensações dos sintomas relatados pelo paciente relacionados a outras partes, modalidades de agravação e melhoria quem sabe de uma afecção de outra localidade, ou talvez da consideração de todas as partes afetadas. Deve ser lembrado, entretanto, que esses sintomas não são escolhidos ao acaso; eles devem todos trazem uma relação definida entre si em relação ao horário e às circunstâncias mesmo que apresentem uma aparente irregularidade quando agrupados. Em uma aplicação mais ampla do princípio, ele agrupa todas as localidades afetadas, todas as sensações, e todas as modalidades, cada uma em seu local apropriado, e então constrói a totalidade, que ao mesmo tempo revela a doença e o remédio. O sistema é único e extremamente lógico; como ao juntar várias peças de um quebra-cabeças, achamos cada sintoma, ou parte de sintoma, mesmo parecendo ilógico ou irrelevante, e colocamos cuidadosamente em seu lugar.

A totalidade está relacionada equivalentemente ao medicamento e à doença. Os sintomas do medicamento devem corresponder perfeitamente aos sintomas da doença. Eles são réplicas; em última análise, podem ser consideradas idênticos tanto em origem como em natureza. Um grupo ou totalidade sintomática pode ser denominado Pulsatilla ou Sarampo na prática homeopática. Sob certas condições, isto é, na definição da similaridade dos sintomas, eles são praticamente idênticos. Em consideração às convenções de medicina geral, nós os diferenciamos, já que para o uso comum e diagnóstico nos foram dados nomes para determinados grupos sintomáticos; mas como estudantes da Lei da Similitude, nós reconhecemos o valor da totalidade em nossa avaliação do paciente, e reconhecemos igualmente o escasso valor do diagnóstico como uma maneira auxiliar para a compreensão da totalidade sintomática.

Faz parte da tarefa do homeopata observar detalhadamente, registrar fielmente, e classificar cientificamente o fenômeno da doença com o propósito de descobrir e aplicar o medicamento curativo. Essas tarefas também fazem parte sua incumbência, esteja ele na direção de uma experimentação onde a doença é artificialmente produzida, no estudo de uma epidemia, em estudos sobre a história natural de uma determinada doença, ou no tratamento de um paciente. Os mesmos princípios devem regular todas essas atividades.

A forma típica de qualquer doença é descoberta somente através da observação de muitos pacientes e com a coleta de seus sintomas de maneira a trazer a tona suas personalidades, assim como a esfera de ação do medicamento é descoberta através do agrupamento esquemático de todos os sintomas dos muitos experimentadores. Nenhum experimentador pode experienciar todos os sintomas que um remédio é capaz de produzir. Muitos, ou alguns experimentadores de ambos os sexos são necessários para trazer à tona a imensa gama de sintomas de qualquer droga. Os sintomas dos muitos experimentadores, através do método Hahnemaniano, são confrontados, classificados, e organizados sob um esquema baseado nas divisões anatômicas do corpo. O formato típico resultante, que denominamos totalidade, é uma forma ou imagem abstrata, contendo tudo o que se pode saber da doença artificial, então organizada de modo a ter sua própria individualidade.

De maneira similar, a descoberta de um medicamento epidêmico em uma doença epidêmica depende do estudos de inúmeros casos com o propósito de observar e agrupar todos os sintomas que formam sua totalidade. Uma epidemia pode ser considerada como uma experimentação gigante, involuntária, de alguma noxa, germe ou miasma, afetando um grande número de pessoas ao mesmo tempo sob determinadas condições. Para achar o antídoto do veneno que está tornando as pessoas doentes, ou em outras palavras, o remédio epidêmico, muitos pacientes devem ser observados, seus sintomas registrados e o medicamento que corresponde à totalidade, encontrado através do método Hahnemaniano de comparação.

Quando começamos a lidar com os indivíduos doentes, percebemos que nem sempre conseguimos encontrar todos os sintomas da doença classificados nos livros texto em nenhum caso dessa doença, portanto os sintomas de um medicamento, como observados nas patogenesias, não podem ser todos encontrados em um único paciente.

Cada grupo ou totalidade típica, quer surgindo clinicamente ou em um paciente, contém muitos grupos de sintomas menores, mas todavia característicos. Os sintomas, como extraídos primariamente do paciente ou experimentador podem ser, e usualmente são, fragmentados, dispersados, e com freqüência aparentemente não relacionados. É função do artista terapêutico encaixar esses fragmentos em uma forma definida e simétrica; para proporcionar a eles seu verdadeiro formato e individualidade ; construir a totalidade, que ao mesmo tempo indicará a doença e o medicamento. Isso deve ser feito de acordo com alguns planos e formas preconcebidas. Ele deve ter uma moldura ou esqueleto sobre e em torno do qual ele construirá sua estrutura sintomática, se deseja consistência e coerência. Ele deve ser capaz de enxergar através de sintomas confusos e dispersados, e dos fragmentos de sintomas, pelo menos o perfil do medicamento; e ele deve também encontrar meios de suprir essas falhas, preenchendo as ligações que faltam, e combinar esses fragmentos para formar um todo harmonioso.

Quando todos os sintomas do caso tiverem sido agrupados, e a totalidade tiver sido determinada, nós termos tudo o que pode se saber da doença. Ela existe então em uma forma que já foi denominada com outros nomes genéricos, como retrato sintomático, caso, individualidade do caso, e assim por diante. A confusão sempre surge quando existe uma tentativa de ajustar a verdadeira totalidade aos termos e classificações da patologia teórica. Não existe necessidade de se fazer essa tentativa. O ideal homeopático será atingido quando essa totalidade sintomática individual for simplesmente chamada pelo nome de um medicamento que corresponda a ela. A simplicidade demanda isso, e quanto melhor for a nossa compreensão da filosofia homeopática e da Matéria Médica, mais claramente compreenderemos a verdadeira base científica para esse reconhecimento do diagnóstico do indivíduo, tanto medicamentoso como do caso em si.

A totalidade, na prática homeopática, é o verdadeiro diagnóstico da doença, e ao mesmo tempo o diagnóstico do medicamento. A totalidade elimina todos os elementos e especulações teóricas da medicina tradicional e lida somente com os fatos manifestados. Esses fatos são reunidos, não de maneira arbitrária ou imaginária, mas de acordo com uma ordem natural. Os mesmos princípios de classificação que regem os botânicos e zoólogos em suas classificações de plantas e animais, deveriam governar a homeopatia na classificação dos fenômenos da doença.

Na nota do encerramento do prefácio da primeira edição de seu Repertório dos Antipsóricos, C. von Bönninghausen expressou seu conceito de classificação ordenada dos sintomas através do sistema Hahnemaniano nesse tributo brilhante ao gênio de Hahnemann; futuramente como os botânicos, todos os homeopatas entenderão uns aos outros, e prescreverão com segurança o mesmo medicamento para sintomas mórbidos idênticos, e não mais prescreverão através de nomes idênticos de doenças.

A Base Filosófica

O conhecimento intimo do repertório é nosso estudo agora, mas de maneira a criar uma visão compreensiva do repertório e de suas potencialidades para os casos crônicos, nós devemos encará-lo como um meio para um fim, e nunca um fim por si só. Ele freqüentemente é a ponte de conhecimento entre o homeopata e o paciente crônico; é através da estrutura repertorial que o homeopata pode atingir e tratar o paciente que sofre de alguma doença obscura, mas mais particularmente a disfunção crônica obscura, e através da qual o homeopata pode retornar muitas vezes, se necessário para uma avaliação do caso e seu progresso. A partir da estrutura repertorial, o homeopata obtém uma melhor observação da condição prévia do paciente, de sua sintomatologia atual, e seu provável desenvolvimento futuro. Para aquele que não estudou o repertório geral cuidadosamente, suas possibilidades estão perdidas na bruma do desconhecimento. “A verdade surge mais claramente a partir do erro do que de meias verdades”, e para aquele que sabe pouco é freqüentemente difícil aprender a compreensão total. Entretanto, estudando o Manual (Pocket Book) Terapêutico de C. von Bönninghausen poderemos ter uma breve idéia das condições da literatura homeopática no período em que C. von Bönninghausen compôs seu repertório.

Depois de Hahnemann ter escrito a Matéria Médica Pura, se tornou mais e mais obvio de que algum método deveria ser proposto para tornar mais fácil e rápida a obtenção do similimum. Nesse período os registros dos sintomas revelados através de experimentações atingiram proporções monstruosas, mas o único método de localização dos sintomas registrados das experimentações era o folhear de páginas e páginas da Matéria Médica. Hahnemann, que havia observado cuidadosamente cada experimentação, e que coordenou pessoalmente a experimentação de muitos medicamentos, apresentava a maior probabilidade, de ter menos dificuldade na identificação dos sintomas de um determinado medicamento; mas cartas de pacientes que o visitaram durante seus últimos anos mencionam o fato de que ele freqüentemente procurava em páginas de um manuscrito antes de administrar um medicamento.

A evidência posterior de que a identificação dos sintomas tinha se tornado um verdadeiro fardo, mesmo para Hahnemann, foi o fato dele próprio ter compilado um repertório de alguns dos sintomas-chave; foi impresso em latim. Mais tarde ele desenvolveu ainda mais a idéia do repertório, mas esses últimos estão na forma manuscrita e nunca foram publicados ( Dr. Richard Haehl fala deles em seu livro a Vida de Hahnemann).

C. von Bönninghausen foi um grande amigo e aprendiz de Hahnemann, e foi com o encorajamento de Hahnemann que C. von Bönninghausen desenvolveu seu primeiro Repertório de Antipsóricos, publicado em 1832. Ele contém um prefácio do próprio Hahnemann, e foi indubitavelmente um dos primeiros repertórios publicados.

Em 1835 C. von Bönninghausen publicou seu Repertórios dos Medicamentos Não-Antipsóricos; em 1836, o seu: Tentativa de Mostrar a Relativa Semelhança dos Remédios Homeopáticos. Dez anos depois, ele publicou seu Manual Terapêutico para Médicos Homeopatas, e esse volume continha os princípios e o método geral de construção descrita nos volumes anteriores, muito ampliado e aperfeiçoado como fruto de suas constantes observações durante um período de muitos anos, e contudo “tão compactamente construído que evitou as características incômodas de Jahr e de outros repertórios mais recentes.

Na construção desse Manual Terapêutico C. von Bönninghausen baseou seu agrupamento de sintomas no ensinamento Hahnemaniano que é imperativo que o médico homeopata prescreva baseado na totalidade do caso. Ele prosseguiu baseado na hipótese de que essa totalidade não era somente a soma total dos sintomas, mas era ela própria um grande sintoma‹ o sintoma do paciente; e se consideramos as partes individuais do sintoma, ou o grande sintoma‹ a totalidade propriamente dita‹ três fatores devem ser considerados:
1. Localização: a parte, órgãos ou tecidos envolvidos no processo.
2. Sensações: o tipo da dor, sensação, alterações funcionais e mórbidas caracterizando o processo mórbido.
3. Modalidades de Agravação ou Melhoria dos sintomas: as circunstâncias etiológicas, excitantes, agravantes, ou as que permitem modificação ou alívio do sofrimento.

C. von Bönninghausen observou que os sintomas ocorrem naturalmente em grupos, alguns dos quais são marcantes e proeminentes, e alguns são subsidiários. Esses aparecem em todos os casos crônicos, e freqüentemente em uma graduação acentuada. Eles são sempre sintomas guias e podem ser definidos como sintomas para os quais existe uma clara base patológica; ou os sintomas que são mais proeminentes e claramente reconhecíveis; ou os sintomas que primeiro atraem a atenção do paciente ou do homeopata; ou que causam o maior sofrimento; ou que indicam definitivamente o localização e da natureza do processo mórbido; que formam o “defeito estrutural” como foi expressado. Nos sintomas guia isoladamente não existe nada particularmente característico do ponto de vista daquele que faz a prescrição.

Por exemplo, temos muitos remédios que produzem congestão cerebral; muitos que produzem inflamação hepática; outros produzem inflamação pulmonar; outros produzem inflamação ovariana; outros produzem inflamação uterina. Qualquer um desses necessita se tornar um sintoma guia, já que a inflamação de qualquer órgão não é um fato de grande valor na condução do homeopata a prescrição do simillimum.

Em qualquer uma dessas circunstâncias teremos a localização, de diagnosticarmos bem o caso, mas a não ser que possamos qualificar a localização através de sensações e modalidades de agravação e melhoria, não teremos alternativa senão prosseguir empiricamente na seleção do medicamento.

Foi por esse motivo que Hahnemann insistiu na necessidade de se considerar a totalidade do caso. Bönninghausen, no planejamento de seu repertório, enfatizou o valor dos sintomas completos (através da localização, sensações, e modalidades de agravação e melhoria), mas adicionou um quarto item, igualmente imperativo como os três primeiros, e ainda assim freqüentemente divisível nesses três itens. Foi o sintoma concomitante, e possibilitou a afirmação de que seu repertório está fundamentado na doutrina dos concomitantes. Nós deveríamos dizer: a doutrina da totalidade do caso, que deve incluir os concomitantes.

A palavra concomitante significa a existência ou ocorrência conjunta; simultâneo; o adjetivo significa circunstância simultânea.

Nós falamos sobre a peculiar utilidade do repertório na análise de casos crônicos obscuros com inúmeros grupamentos sintomáticos, onde nenhum grupo sintomático se sobressai com claridade suficiente para garantir uma prescrição. Aqui as forças penetrantes do Manual (Pocket Book) se manifestam, porque foi com a consideração desses casos em mente, que C. von Bönninghausen desenvolveu seu repertório.

Não importa quantos grupos sintomáticos apareçam, se eles são coexistentes, ou surgem com alguma relação temporal para o entendimento do grupo sintomático, como sintomas alternantes entre verão e inverno, todos esses podem ser levados em consideração através desse método.

Nós podemos ir mais além e afirmar que em praticamente todos os casos podemos encontrar um ou mais sintomas concomitantes, e freqüentemente descobrimos que os sintomas concomitantes não são somente coexistentes, mas são aqueles sintomas que aparentemente não apresentam relação com os sintomas guia do ponto de vista da patologia teórica. Eles são sintomas para os quais não encontramos nenhuma razão para sua existência no indivíduo em consideração. Nós podemos denominá-los quase sempre de acompanhantes insensatos do caso em questão; apesar disso eles têm um relacionamento real no qual existem ao mesmo tempo, em um mesmo paciente. Eles não podem ser examinados superficialmente nem desvalorizados devido ao fato de não poderem encaixar na conformidade das teorias da medicina tradicional, nem com nossas próprias idéias de suas peculiaridades desconexas.

Inobstante, esse grupo aparentemente errático de sintomas nos indivíduos é governado por um princípio, e foi a descoberta desse princípio que levou C. von Bönninghausen a divisar a estrutura sobre a qual seu repertório está baseado.

É concebível que uma pessoa possa prescrever adequadamente baseada em um único sintoma seguindo o planejamento explanado no Manual (Pocket Book), desde que esse sintoma esteja completo. Tendo simplesmente uma dor de determinada característica definida; em um órgão ou local definido, modalidades de agravação ou melhoria, e um fator diferenciador‹ o famoso sintoma concomitante ou acompanhante‹ e o medicamento pode ser encontrado (muito freqüentemente, as modalidades de agravação ou melhoria são por si próprias o fator diferenciador). Se em uma página de sintomas fragmentários esses quatro elementos puderem ser encontrados e agrupados para formar um sintoma completo, existe esperança de encontrar o medicamento. A localização, a sensação e as modalidades não são suficientes, os concomitantes devem ser adicionados, aquela característica peculiar ou acidental que sempre existe em toda totalidade, tanto no paciente como no medicamento, através da qual é diferenciada de todos os outros casos ou medicamentos.

O sintoma concomitante significa para a totalidade o mesmo que as modalidades de agravação ou melhoria significam para o sintoma único. É o fator diferenciador.

Essa parte do sintoma que não pode por si só ser completada em determinada fração, pode ser completada em alguma outra fração, como os sintomas concomitantes ou associados; e como foi indicado antes essa concomitância freqüentemente é uma condição de agravação ou melhoria.

Não é necessário que as modalidades de agravação ou melhoria devam ser efetivamente relacionadas com o sintoma local ou particular. Freqüentemente não é impossível encontrar isso. A visão mais ampla do caso, que reconhece que cada sintoma, ou parte de um sintoma pertence ao caso como um todo, nos autoriza, através da estrutura de C. von Bönninghausen, completar os sintomas parciais combinando os fragmentos separados como um todo. A experiência corrobora a verdade da doutrina de C. von Bönninghausen sobre a importância dos sintomas concomitantes.

Vamos colocar de outra maneira. C. von Bönninghausen deu continuidade à teoria Hahnemanniana de que é o homem que está doente, e que todos os distúrbios que se alojaram nele são parte dessa condição, e portanto devem ser considerados na tentativa de livrá-lo de seus distúrbios e trazê-lo a uma perfeita cura.

Em seu ensaio sobre o Tratamento da Febres Intermitentes, C. von Bönninghausen diz:

É bem sabido que as características mais marcantes das febres intermitentes são os inúmeros episódios de calafrios, calor e transpiração, sendo esses sintomas sucessivos entre si, ou de aparecimento simultâneo, ou mesmo alternantes de várias maneiras. Esses sintomas, que devem ser obrigatoriamente encarados como um, são geralmente tão evidentes, que todos os outros sintomas que os acompanhantes são deixados de lado, ou estão tão obscurecidos, que não são considerados dignos de nota, ou estão resumidos na vaga denominação de febre intermitente indeterminada. Mas junto com as características do próprio paroxismo febril, são precisamente esses sintomas acompanhantes ou secundários que irão decidir a seleção do medicamento. Isso é tão verdadeiro, que uma droga que tenha sido escolhida de acordo com a totalidade sintomática observada durante a apirexia, simulará uma certa cura da febre, apesar de nunca antes ter sido empregada com essa finalidade.

Na seleção da droga, os sintomas morais do paciente devem ser rigorosamente considerado, é claro. A experiência mostra abundantemente que a indicação mais segura de um remédio é a totalidade sintomática existente durante a apirexia, em outras palavras, os sintomas concomitantes observados...

Eles devem ser exclusivamente considerados, e até mesmo em contradição com sintomas do paroxismo, até que uma droga tenha sido descoberta, no curso de nossas experimentações em homens sãos, que deva corresponder a ambas as ordens de sintomas. São medicamentos como estes exclusivos que acelerarão uma cura certa e permanente...

Inúmeros medicamentos que parecem indicados mais adiante exibem uma marcante analogia sintomática. A analogia pode ser observada como um fio que os une em uma só família apesar de suas diferenças. Essa analogia é encontrada nos sintomas acessórios assim como nos sintomas do paroxismo. A experiência ensina que essa analogia é extremamente importante na seleção do medicamento. A analogia pode guiar o homeopata na seleção do medicamento, especialmente naqueles casos de febre intermitente que foram imperfeitamente descritos pelo paciente que mora distante.

Em relação a epidemia, ele comenta:

Os vários sintomas que aparecem em diferentes pacientes podem ser todos agrupados, e esse grupo indicará o remédio que será homeopático para a cura.

O organismo humano é como uma grande e complicada máquina, composta de muitas partes agrupadas de acordo com uma idéia ou plano definido. Deve existir um depósito para as partes. O repertório é como um depósito de mercadorias para uma fábrica, para a estocagem ordenada das partes, cada um tem sua própria prateleira. O trabalhador seleciona as partes necessárias para formar uma máquina, e as agrupa de acordo com o projeto.

As partes que ficam soltas nas prateleiras, no chão e na bancada do trabalhador, não são a máquina, mas somente partes. Devem existir as partes além do projeto. Combinados, eles devem prover individualidade, forma, utilidade, eficiência. O Manual (Pocket Book) de C. von Bönninghausen supre tanto o projeto como as partes.

A base do Manual de C. von Bönninghausen é a doutrina das concomitâncias. É isso que confere ao livro seu valor peculiar. O grupo tem mas importância do que o sintoma singular, não importando quão peculiar sintoma singular possa parecer. Essa é somente outra maneira de dizer que a totalidade deve prevalecer.

O sintoma singular peculiar algumas vezes fornece individualidade ao grupo, assim como algumas peculiaridades individuais distinguem cada membro da família que podem, apesar disso, se assemelhar muito. Mas a característica individualizadora é encontrada mais freqüentemente em algumas modalidades comuns a todos os sintomas do grupo.

A Construção do Repertório

C. von Bönninghausen, na elaboração de seu Manual (Pocket Book) Terapêutico, corporificou inúmeras características originais. De fato, na época o repertório era uma nova aventura na literatura homeopática, desenvolvida devido a pressão da necessidade de indexação das muitas experimentações que acumularam. A mente advocatória de C. von Bönninghausen fez uso de inúmeras características salientes das incômodas experimentações, através das quais ele foi capaz de inventar e aperfeiçoar um repertório que era muito mais conveniente, muito mais elaborado, e ao mesmo tempo compacto, compreensivel e fácil de usar do que decorar a Matéria Médica.

Uma das diferenças principais na construção do repertório que C. von Bönninghausen utilizou em seus repertórios mais recentes foi a variação do tamanhos das letras (tipo), significando a importância variada das rubricas sintomáticas para as várias drogas listadas.

Em seu prefácio, página vi, C. von Bönninghausen diz: O objetivo desse manual como observado no título, é duplo, isto é, por um lado auxiliar a memória do homeopata à cabeceira do doente na seleção do medicamento, e por outro, atuar como guia no estudo da Matéria Médica Pura, através da qual qualquer pessoa pode ser capaz de encontrar seu caminho e atribuir um valor maior ou menor a cada sintoma, tornando o todo mais completo e delineado.

Devido ao grande número de remédios, em praticamente todas as rubricas, foi considerado indispensável, em relação aos assuntos mencionados acima, distinguir seus valores relativos através de vários tamanhos de letras (tipos) , como fiz em meus primeiros repertórios, e que Hahnemann repetidamente mostrou ser necessário.

Dessa avaliação C. von Bönninghausen diz (Prefácio, pagina VII):

“O quinto lugar, o último de todos, contém os remédios dúbios, que necessitam de estudos críticos, e que ocorrem mais raramente....”Em outras palavras, esses são os medicamentos nos quais esse determinado sintoma foi encontrado raramente, ou foi observado somente durante o tratamento clínico.

Sobre esse trabalho de avaliação dos medicamentos, C. von Bönninghausen nos diz (Prefácio, página VII): eu não poderia nem mesmo confidenciar o grau maior ou menor da maior ou menor graduação, mas eu poderia somente aceitar que o erro seria menor que a metade de um intervalo. Sem ter a certeza de afirmar que em qualquer lugar dentro desses limites que a eficácia foi atingida, eu posso dizer com certeza que nenhum trabalho, cuidado ou circunspecção foi evitado da minha parte para evitar possíveis erros...

Apesar dessa avaliação dos sintomas ser uma característica única do planejamento do repertório de C. von Bönninghausen, ela não é comparável ao método real de planejamento empregado por ele no qual a avaliação foi apenas um item. Antes de observar atentamente o planejamento exato , vamos dar uma olhada resumidamente nas bases repertoriais dessa época.

Os repertórios existentes, a maioria Kentianos, incluindo o Repertório Completo (Complete Repertory) em suas versões mais antigas e sintética, são especialmente falhos em relação a sua estrutura baseada no plano de concordância, que secciona cada idéia ou sentença em palavras componentes, ou partes, e as distribui através do trabalho em ordem alfabética ou Kentiana. Uma vez distribuídas de acordo com esse planejamento, elas não podem agrupadas novamente. Algum planejamento teria que ser divisado através do qual os sintomas da crescente Matéria Médica pudessem ser organizados e classificados, para que conseguissem ser encontrados facilmente e reagrupados em um formato consistente e lógico, sem separá-los ou desmembra-los demais. Eles devem ser separados, mas somente de maneira a não destruir sua individualidade, nem restringir sua integridade. O que for separado deve ser passível de reunião no futuro. O planejamento deve ser elástico o suficiente para permitir que as partes separadas de um remédio ou sintoma possam ser reagrupadas de maneira que possam corresponder a qualquer grupo de sintomas que possam surgir na prática. Como a Natureza combinou os elementos da doença em cada forma variante, que então a Arte combine os elementos da Matéria Médica para atingir as formas da Natureza.

O problema era difícil, mas a mente altamente analítica de C. von Bönninghausen o resolveu. Ele concebeu uma imagem de uma grande totalidade sintomática all-inclusive (incluindo tudo), constituída dos pontos cardeais de localização, sensações, modalidades de agravação ou melhoria, e os concomitantes, sob os quais, todos os sintomas da Matéria Médica e também das doenças, deveriam estar incluídos.

Agora considerando o planejamento exato de estruturação:

Nós encontramos o trabalho mais recente dividido em sete partes:
1. Mente e Intelecto ( As edições mais antigas os denominam mente e alma)
2. Partes do Corpo e Órgãos
3. Sensações e Queixas
I. gerais
II. glandulares
III. ósseas
IV. cutâneas
4. Sono e Sonhos
5. Febre
I. circulação sangüínea
II. estágio frio
III. calafrio
IV. calor
V. transpiração
VI. componentes da febre
VII. queixas concomitantes
6. Alterações do Estado de Saúde
I. agravação de acordo com o horário
II. agravação de acordo com a situação e circunstâncias
III. Melhoria por posicionamento e circunstâncias
7. Concordancias

Mente e Intelecto

Nós encontramos comparativamente poucas rubricas na seção Mente. C. von Bönninghausen era um seguidor de Hahnemann e esteve em contato com ele durante muitos anos; ele voltou sua mente advocatória para os problemas homeopáticos com grande sinceridade e propósito, e podemos nos perguntar porque ele designou tão poucos sintomas mentais, quando Hahnemann ensinou que a avaliação da personalidade de um homem e seus desvios da normalidade residem enormemente em suas reações mentais e espirituais.

Devido a incapacidade de compreensão do conceito do manual, muitos Hahnemannianos competentes criticaram a falta de sintomas mentais listados nele. Deve-se lembrar que C. von Bönninghausen se baseou no conceito do homem como um todo, colocando a balança da ênfase no valor dos sintomas concomitantes e das modalidades; não era sua intenção reproduzir o retrato do homem como um todo através de suas reações mentais, já que ele tinha compreendido o quão deformada era a visão que mesmo o mais cuidadoso observador poderia ter as vezes; ou através de qualquer outro grupo sintomático predominante, inobstante sua importância. Sua afirmação era de que a base sólida da fundação quadrangular era o único método para assegurar a totalidade do caso. Considerando o valor dos sintomas mentais em relação ao Manual (Pocket Book), C. von Bönninghausen externou sua crítica nesse Prefácio: Em relação ao primeiro capítulo, deve ser especialmente observado que em nenhum outro lugar além de nossa Matéria Médica Pura existem mais sintomas secundários do que sob a Mente e Disposições, e por outro lado, a maioria iniciantes na homeopatia são passíveis de menosprezar essa parte do quadro da doença ou de cometer erros. Portanto, eu considerei sábio exibir aqui somente o que é essencial e proeminente, sob o mínimo de rubricas possíveis, de maneira a facilitar a referência.

Isso não foi portanto um equívoco da parte de C. von Bönninghausen, mas uma tentativa deliberada de elucidar o uso do livro para aqueles iniciantes no estudo da homeopatia.

Por outro lado, antes de abandonar as considerações em relação ao material algo rudimentar do capítulo Mente, é interessante voltar para o capítulo Agravações e acompanhar as dezessete rubricas relacionadas à Excitação Emocional. Hahnemann afirmou que a causa emocional dos distúrbios funcionais se constituía em um importante fator no restabelecimento de um estado de equilíbrio; a experiência de C. von Bönninghausen o levou às mesmas conclusões. Eles acreditavam que os distúrbios da esfera emocional podem se manifestar em uma longo e diversificado cortejo sintomático, modificando-se de acordo com inúmeras e variadas condições e circunstâncias do meio ambiente, treinamentos e convenções; mas as conseqüências desses estados perturbados, que freqüentemente são tão profundos que aparentam ser permanentes, nem sempre se manifestam claramente na esfera mental, e portanto o médico homeopata, na solução de um desses difíceis problemas, achará de valor inestimável levar em consideração o sintoma do distúrbio emocional inicial.

Portanto podemos razoavelmente afirmar que essas rubricas sobre Agravações que lidam com causas emocionais ou distúrbios funcionais estão intimamente relacionadas com aquela parte que engloba os sintomas mentais e emocionais.

A explicação de C. von Bönninghausen sobre esse capítulo do Intelecto foi muito parecida com a da Mente; de maneira a simplificar a utilização do livro, ele reduziu o número de rubricas o máximo possível, deixando para os próximos autores, se quisessem, adicionar mais rubricas, e rubricas particulares.

Partes do Corpo e Órgãos

Esse capítulo do livro, segue, em geral, ao esquema anatômico utilizado por Hahnemann‹ na verdade, utilizado por todos os estudantes da anatomia humana desde o início da história médica, iniciando pelas partes superiores (cabeça) e prosseguindo para baixo em direção à boca, seguindo então para baixo em direção ao sistema digestivo; considerando na seqüência o sistema urinário e suas funções, órgãos sexuais e funções, sistema respiratório (de cima para baixo), tórax externo, coração, pescoço, costas, membros superiores e inferiores.

Existe outro grupo sintomático que pode ser considerado, como uma das principais características introduzidas por C. von Bönninghausen, e uma que tornou seu repertório mais resumido e compreensível. São as rubricas concomitantes. Sobre elas, C. von Bönninghausen escreve em seu Prefácio, página VII: ...Convencido da importância dos sintomas que ocorrem simultaneamente, com isso formando grupos sintomáticos, eu tenho acrescentado durante muitos anos aos sintomas concomitantes encontrados na Matéria Médica Pura tudo pertencente a eles que a minha experiência e a de outros pode oferecer, e seu número aumentou tanto que eu fui capaz de estabelecer regras gerais. Dentre elas é certo que alguns remédios, mais que outros, tendem para sintomas concomitantes, e que eles não consistem exclusivamente de sintomas particulares, mas geralmente de todo o tipo de queixa que reside na esfera do remédio, contudo realmente as características podem ser encontradas mais entre eles do que em qualquer outro local. Essa descoberta, testada através de longa experiência, me levou a colocar os Sintomas Concomitantes juntos em cada capítulo.

Portanto encontramos o seguinte:

Drogas que Apresentam Sintomas Mentais Concomitantes 23 Sintomas que Acompanham Secreções Nasais 49 Distúrbios que Acompanham Leucorréias 111 Distúrbios que Acompanham a Respiração 114 Distúrbios Associados com Tosse 120 Nós também podemos acrescentar nesse grupo aqueles já mencionados por consideração no grupo de agravações: Problemas Durante, Antes e Depois da Fezes; Antes, Durante e Depois da Micção; Antes, Durante e Depois da Menstruação, etc.

Essas rubricas quando têm seu valor totalmente compreendido, se provam extremamente úteis tanto para a análise de um caso como para uma referência rápida.

Sensações e Queixas

Como poderemos observar na seção devotada às limitações do repertório, esse título deveria ser: Sensações e Queixas ao invés de exclusivamente Sensações, como a edição de Allen o coloca. Mesmo a observação casual revela que esse capítulo contém não somente os sintomas subjetivos no caminho das sensações verdadeiras, mas muitas queixas (ou modalidades) e muitos sintomas objetivos também, e algumas localizações.

Nos sintomas subjetivos, nós encontramos inúmeras descrições de desconfortos, assim como as seguintes rubricas: Desejo de Ar Livre; Aversão ao Ar Livre; Intolerância a Vestir Roupas; Inclinação a Deitar-se; Aversão ao Movimento; Desejo de Movimento; Inquietação; Sensível a Dor; Inclinação a Sentar-se; Ilusões de Toque; Medo de Banho; Medo de Água, etc.

Os sintomas de localização são generalizados ou direcionais, como se segue: Sintomas Unilaterais; Lado Esquerdo; Lado Direito; Cruzado, Superior Esquerdo e Inferior Direito; Cruzado, Inferior Esquerdo e Superior Direito, etc.

Os sintomas que abrangem queixas são: Apoplexia, Consumpção, Convulsões, Hidropisia, Edema, Tendência a Resfriar-se, Excitação Nervosa, Hemorragia, Extremidades Geladas; Morte Aparente (Asfixia), Endurações, Inflamações, Paralisias, etc. Esses são todos os que aparecem sob essa classificação geral.

Nós encontramos nos sintomas verdadeiramente objetivos: Negritude exterior; Carfologia; Idiotia; Estalo Articular; Cianose, etc.

Eles não são divididos setorialmente, mas seguem uma ordem alfabética durante essa parte do trabalho devotada às sensações e às queixas. Seguindo esse planejamento C. von Bönninghausen prosseguiu condensando as características incômodas de um repertório e ao mesmo tempo não sacrificou nada necessário para sua compreensão. Essa é uma parte vital do livro e requer um estudo freqüente, por seu rendimento proporcional à atenção recebida.

Recentemente foi determinado que essa parte do livro não é dividida seccionalmente, mas isso refere-se objetivamente somente aos agrupamentos sintomáticos gerais já mencionados. Na edição de Allen existe um único título para esse capítulo geral, o qual nós acabamos de julgar que cobre os sintomas do paciente como um todo, sem referências; para as partes especiais exceto as mencionadas nos capítulos seguintes. Nas edições mais antigas esses quatro capítulos eram contidos em um grande capítulo do livro, com um capítulo principal e três sub-capítulos; na edição de Allen os tópicos gerais foram removidos de maneira que sob um olhar casual esses capítulos agora parecem estar dissociados e esperaríamos localizá-los mais efetivamente nas Partes do Corpo e Órgãos.

Eles devem ser lembrados como se segue: Sensações e Queixas, Em Geral

I. Glandulares;
II. Ósseas
III. Cutâneas

Agora temos uma estimativa mais precisa do alcance sua utilidade, nessas seções temos o agrupamento alfabético dos sintomas subjetivos e objetivos, e podem ser utilizados imediatamente pelo agrupamento sintomático expresso pelo paciente.

Sono e Sonhos

Essa parte do livro é extremamente óbvia, exceto por alguns poucos raciocínios no agrupamento; isso discutiremos depois

Ele cobre sintomas como Bocejos, Sonolência, Insônia, com suas várias modificações; Posições durante o Sono; Sonhos.

Febre

Nas primeiras edições existiam mais de sete seções nesse capítulo do livro. Nessa edição, os subtítulos foram removidos mas as mesmas diretrizes gerais são seguidas, com uma única exceção que será notada. A diretriz original é a seguinte:

I. Circulação Sangüínea no Repertório Completo é encontrada em Tórax e Generalidades como Anemia (CR; Generalidades; Anemia), Congestão (CR; Generalidades; Congestão sangüínea), etc.; os sintomas subjetivos dos vasos sangüíneos; sintomas do pulso (CR; Generalidades; Pulso).
II. Estágio Apirético. No Repertório Completo é encontrado no capítulo Calafrios
III. Frio. No Repertório Completo é encontrado no Capítulo Calafrios; Tremores, Arrepios. E também relacionado a Generalidades; Frio.
IV. Calor. No Repertório Completo é encontrado em Febre, Capítulo Calor.
V. Transpiração. No Repertório Completo encontrado no capítulo Transpiração.
VI. Componentes da Febre. Encontrados no Repertório Completo no capítulo Febre, Calor; Sucessão de estágios.
VII. Queixas Concomitantes. No Repertório Completo encontrado como Febre, Calor; seção Modalidades, e também como concomitantes em muitos outros locais do Repertório. Em Febre, antes; Febre, durante; Febre, depois e outros.

Alterações do Estado de Saúde

I. Agravações de Acordo com o Horário, no Repertório Completo no sub-capítulo Tempo
II. Agravações de Acordo com Situações e Circunstâncias, no Repertório Completo no sub-capítulo Modalidades, causas, concomitantes.
III. Melhoria por Posição e Circunstâncias. Idem

As agravações são muito mais freqüentemente relatadas pelo paciente do que as melhorias; elas foram muito mais facilmente relatadas pelos experimentadores do medicamento porque eram muito fortes, portanto mais relatáveis. As agravações produzidas pelo medicamento eram reações do remédio e portanto relatadas como tal; as melhorias de uma condição foram obtidas quando o desconforto do experimentador foi tão intenso que necessitou de alívio, e não foram estabelecidas freqüentemente relações definidas com o medicamento experimentado. Seja como for, freqüentemente somos obrigados a fazer uso de uma condição oposta na seleção de rubricas, portanto, a rubrica Calor pode ser < Frio.

Concordâncias

C. von Bönninghausen nos fala, no prefácio de sua publicação de 1836, de um trabalho sobre As Relações dos Medicamentos, onde ele posteriormente descobriu inúmeros erros e omissões, e então o descartou. Nas edições mais recentes do Manual (Pocket Book), ele denomina esse capítulo de Concordâncias dos Medicamentos, mas Allen retoma o título mais antigo e compreensível para esse capítulo.

Para a maioria dos médicos homeopatas, o último capítulo do Manual, Relações, tem sido um completo mistério. Mesmo que o homeopata tivesse um grande conhecimento sobre o uso do resto do livro, esse capítulo era praticamente inútil para ele, exceto para algumas referências no atendimento domiciliar ao paciente.

Deve ser lembrado em qualquer consideração dessa obra prima de C. von Bönninghausen, de que era dele a mente treinada para advocacia. Com essa formação ele foi capaz de estipular determinados valores, primeiro o valor da homeopatia em comparação à medicina ortodoxa, e posteriormente, os valores comparativos dos medicamentos em relação a determinados grupos sintomáticos. Ele nos fala em seu Prefácio algo sobre agrupamento de dados; como ele acumulou dados sobre vários sintomas com o decorrer dos anos, suas relações uns com os outros, e a relação dos medicamentos com grupos sintomáticos. A partir desses dados acumulados ele projetou o Manual (Pocket Book). Com essa base, nós não podemos acreditar que qualquer parte do livro sirva simplesmente para um uso casual; foi o acúmulo do conhecimento prático de muitos anos de experiência. Vamos então olhar para esse capítulo em busca de conhecimentos de valores práticos para nós.

Nós vemos que o capítulo de Relações é dividido em seções, cada seção sendo devotada a um remédio, em ordem alfabética. Cada uma das seção-remédio é subdividida em rubricas, assim como nas seções gerais no livro, mas nesse capítulo vemos que as rubricas não são particularizadas em sintomas, mas são grupos sintomáticos generalizados, como foi formado no assunto-matéria das seções do primeiro capítulo do livro. Para exemplificar, nós encontramos como primeira rubrica em cada seção-remédio : Mente; Segunda: Localidades, terceira: Sensações; e então Glândulas, Ossos, Pele; Sono e Sonhos; Sangue, Circulação e Febre; Agravações; Depois DESCOBRIMOS QUE CADA RUBRICA NESSE CAPÍTULO DO LIVRO CORRESPONDE A UM TÍTULO NA SEÇÃO GERAL da primeira parte do livro. A ela são adicionadas uma, duas ou três rubricas, conforme o caso. Uma que está sempre presente traz o título: Outros Remédios. Isso poderia ser melhor traduzido: A relação geral dos remédios (Outros que não o que intitula essa seção particular do capítulo sobre Relações) em relação ao remédio que intitula essa seção. Isso significa que, enquanto sintomas específicos agrupados em uma seção esquemática geral como Mente, Localização, etc., são mostrados em sua respectiva relação com o remédio em consideração, existem alguns sintomas que não se encaixam nesses grupos regulares. Isso significa então, que a pontuação dos remédios nessa rubrica representa um relacionamento geral desses remédios nos grupos sintomáticos não classificados, em relação ao remédio considerado.

As outras duas rubricas que ocasionalmente aparecem , Antídotos e Prejudiciais, são facilmente compreensíveis.

A maior parte da estrutura físico desse capítulo, nos leva pensar na razão de sua existência, os pensamentos por trás da concepção de C. von Bönninghausen sobre o valor de um trabalho como esse.

Cada medicamento compartilha de alguma maneira, de atributos de todos os outro medicamentos. Seria quase impossível selecionar dois medicamentos tão diferentes um do outro que não tivessem pelo menos um ponto em comum. Eles terão sintomas em comum. Examine qualquer medicamento no capítulo de Bönninghausen sobre as Relações entre os Medicamentos onde ele o compara em cada uma de suas divisões de acordo com esse esquema, com os remédios nas subdivisões correspondentes do repertório, e repare como na comparação de praticamente todos os medicamentos resulta a maior parte dos medicamentos contidos nas edições anteriores do livro, e exaustivamente estudados por suas relações com outros medicamentos. Mesmo um estudo casual dos medicamentos listados nesse capítulo mostra conclusivamente que o trabalho nesse capítulo do livro está muito longe de ser completo como nos outros capítulos.

No Prefácio de Allen da edição Americana, ele diz: Às Relações (Capítulo VII) foi adicionada uma parte somente com medicamentos novos, e esse trabalho foi mais superficial do que profundo, muito ainda deve ser descoberto, e devo confessar que a maior parte da nossa nova sintomatologia não nasceu da luz buscadora da experiência clínica como aquelas que deixadas por Hahnemann. Nesse capítulo necessitamos de mais ajuda de estudantes críticos da Matéria Médica e da terapêutica homeopática.

Esse é um assunto que necessita de um criterioso discernimento e estudo detalhado. Se os medicamentos listados nos outros capítulos do livro pudessem ser graduados em suas respectivas relações, essa seção valorosa do livro teria uma utilidade muito maior.

A patogenesia de cada medicamento aparenta ser constituída de sintomas que se aproximam muito dos demais medicamentos. Aqui jaz um dos perigos da prescrição baseada em um sintoma-chave. É como se os medicamentos tivessem se originado a partir de uma única substância, se modificando, individualizando e posteriormente diferenciando em variadas proporções, e então quando se tornassem ativados por potenciação seus efeitos seriam exibidos como em uma escala variada através desse laboratório complicado e excessivamente delicado que é o ser humano. Aqui podemos ver os sintomas geralmente abarcados por inúmeros medicamentos‹ os sintomas originais‹ assim como suas personalidades desenvolvidas individualmente. Uma das melhores ilustrações disso é Pulsatilla, que tem uma forte individualidade, mas ainda assim é muito próxima evolutivamente de Silicia e Kali-s, o que origina uma grande familiaridade entre essas substâncias.

Alguns medicamentos estão em harmonia com outro, alguns são neutros e outros inimigos. Os mais similares entre si, geralmente, são complementares; eles antidotam os efeitos ruins do outro, seguem o outro bem, e freqüentemente compensam as deficiências do outro. Outros com um grau menor de similaridade podem ser utilizados após um grande intervalo de tempo para terminar o trabalho iniciado pelo outro medicamento. Em outras palavras, apresentam um grau muito menor de similaridade.

Nós podemos utilizar aqui a ilustração dos círculos concêntricos de similaridade, sugerido por Joslin. Quanto mais próximo do centro, menor o círculo, e maior o grau de similaridade. Conforme o círculo vai se ampliando as qualidades complementares do medicamento que ocupam a curva exterior diminuem, até que sua similaridade com o simillimum, ou sua relação complementar com o simillimum se torne muito sutil. Cada elemento químico ou mineral agrupou junto a si um pequeno círculo de medicamentos vegetais intimamente relacionados, que são complementares uns aos outros.

Limitações do Repertório

Muitas críticas foram feitas ao Manual (Pocket Book) de C. von Bönninghausen.

C. von Bönninghausen foi o primeiro a descobrir que as influências determinantes das modalidades características não estavam limitadas aos sintomas particulares com os quais elas estavam associadas, ou com os quais elas podem ter sido registradas nas experimentações, mas devem ser aceitas como tendo uma relação modificada com um ou com todos os sintomas. Hering criticou esse ponto de vista pois considerava que ele levava a um vasto campo de medicamentos aparentemente similares.

Isso poderia ser verdade se não se levasse em consideração a totalidade do caso, incluindo os concomitantes, através dos quais vários medicamentos são deascartados, simplesmente devido a amplitude na seleção das rúbricas de agravações e melhorias, o que naturalmente restringe a possibilidade de surgimento de inúmeros medicamentos, se o caso for bem colhido, com detalhes.

Portanto notamos que uma das maiores críticas é superada através de uma tomada de caso cuidadosa, e considerando o projeto filosófico do livro.

O trabalho de C. von Bönninghausen foi cuidadosamente feito e exaustivamente testado. É razoável supor que qualquer trabalho que tenha requerido inúmeras edições e especialmente um que tenha sido traduzido para várias línguas possa ter sofrido inúmeras alterações textuais. C. von Bönninghausen nos conta que a primeira tradução feita para o inglês foi “feita por um dos mais iminentes médico homeopata alemão, que está perfeitamente familiarizado com a língua e a literatura inglesa, mas não quer ser conhecido”. Essa edição não é prática para os dias atuais, pois Stapf utilizou inúmeras frases atualmente obsoletas.

Hempel foi extremamente criticado por suas traduções negligentes de trabalhos como o Doenças Crônicas de Hahnemann, mas uma comparação cuidadosa de inúmeras edições e comparações com a Matéria Médica, devem nos convencer que nas edições mais antigas, as traduções de Hempel estão mais precisamente próximas da forma original do que qualquer uma das edições mais recentes disponíveis.

A edição de Allen sofreu muito devido a uma tradução mal feita, e esses erros de tradução além das modificações nos títulos, frustraram a utilidade daquela que deveria ter sido a melhor edição do trabalho. Deve ser lembrado que T. F. Allen, apesar de trabalhador infatigável que era, não foi capaz de atender todos os detalhes de todo o trabalho inteiro que levou a termo, e deve ser reconhecido que o trabalho delegado a outros freqüentemente sofre de alguma forma com a falta de supervisão pessoal. É até possível que possam haver assistentes que compartilhem os mesmos pontos de vista, tenham o mesmo senso de responsabilidade e evidenciem o mesmo grau de capacidade de quem concebeu o projeto. Portanto, não podemos culpar Allen por coisas que ele pessoalmente não poderia ser capaz de abarcar.

É justo somente dar a Allen crédito pelo trabalho feito por ele próprio, e se ele pudesse se dividir o suficiente para fazer todo o trabalho sozinho, é provável que seu trabalho tivesse sido perfeito, mas não é sempre possível a um indivíduo executar com perfeição sua tarefa.

C. von Bönninghausen tinha 126 medicamentos em seu trabalho original. Allen retirou quatro medicamentos que apareciam nas edições de C. von Bönninghausen: Angustura, devido a dificuldade naquele tempo em assegurar a identidade da casca, porque uma falsa casca estava sendo muito vendida como verdadeira, ocorreram severos envenenamentos com o uso da forma bruta e a Alemanha proibiu sua venda. Allen questionou a autenticidade das experimentações e a deixou fora de sua edição. Ele também retirou três medicamentos magnéticos: Magnetis poli ambo, Magnetis polus articus, Magnetis polus australis. Allen adicionou 220 medicamentos, tornando o número de medicamentos mostrados em sua edição: 342. Os remédios adicionados por Allen aparecem em comparativamente poucas rubricas, e uma observação cuidadosa convencerá o estudante de que eles aparecem muito mais freqüentemente em rubricas de localização, ou nas referentes aos sintomas funcionais, do que nos sintomas subjetivos ou modificadores. É nesse particular que estamos convencidos de que Allen não considerou seu trabalho completo, mas que essa edição foi para a gráfica com a idéia de fornece-la ao profissional homeopata no estado em que se encontrava naquele momento, ao invés de uma edição aparentemente perfeita.

Vamos examinar adiante alguns dos erros que parecem mais flagrantes.

Foi dito que Allen combinou dois volumes em um, apesar de ter mantido o trabalho em tamanho reduzido, o Manual Terapêutico de C. von Bönninghausen , o Repertório, Lados do Corpo. O trabalho de combinação não foi feito uniformemente, e a não ser que o homeopata atente para essas irregularidades ele pode deixar escapar o valor da segunda involução. Por exemplo, nós vemos que o capítulo sobre Cabeça Interna vai até sua última rubrica (página 26) Unilateral em Geral, e temos razão para acreditar que ela é o término do capítulo, já que o capítulo Cabeça Externa começa na página 27. Entretanto, na página 29, encontramos outro título, Cabeça Interna, mas ele contém somente duas rubricas, uma relacionada a lateralidade esquerda e outra à direita. A seguir encontramos o título Cabeça Externa novamente, e ele também engloba os dois lados.

Nos capítulos relacionados aos Olhos, Orelhas, Nariz, Face, Dentes, nós encontramos rubricas para os dois lados incorporadas no final, mas dentro do capítulo. Entretanto, no capítulo Boca nós não encontramos as rubricas de lateralidade , mas logo após passar o capítulo Garganta, encontramos um novo título, Boca e Orofaringe, que apresenta justamente essas duas rubricas (página 65). Os capítulos sobre Abdômen Interno e Externo seguem um ao outro imediatamente, sem conter as duas rubricas de lateralidade; aqui o mesmo erro foi cometido como durante o agrupamento das rubricas principais, e as rubricas de lateralidade do Abdômen Interno seguem as rubricas de localização geral do Abdômen Externo, e logo após as rubricas de lateralidade do Abdômen Externo.

As rubricas que abrangem a lateralidade dos órgãos sexuais, Tórax, Costas, Extremidades Superiores e Inferiores, estão contidas corretamente nos capítulos apropriados no final das outras rubricas.

Foi feita uma menção sobre o erro na denominação do capítulo de Sensações, que deveria se chamar Sensações e Queixas; e o estudante nunca deveria esquecer que as seções sobre glândulas, ossos e pele devem ser considerados substitutos do capítulo de Sensações e Queixas

Pode ser incorreto mencionar aqui a completa inadequação do índice. Ele não está somente incompleto, mas incorreto em alguns detalhes, e de maneira a assegurar o uso mais completo do repertório é aconselhável aprender diretamente no livro; aí então não será necessário recorrer ao índice. Um breve estudo do projeto do livro e suas diretrizes gerais permitirá ao homeopata uma maior facilidade no uso do livro e esse conhecimento irá crescer rapidamente em detalhes assim como ocorre em seu uso diário.

Agora passemos às considerações sobre as traduções das rubricas. Infelizmente foi impossível obter uma cópia alemã original do Manual (Pocket Book), portanto as comparações foram feitas pelo entediante método de comparação de texto na edição de Allen, rubrica por rubrica, com aquela tradução de Hempel, e onde houveram questionamentos, elas foram comparadas com outras edições disponíveis e os medicamentos levados para as Matérias Médicas para diferenciações de significado. Esse trabalho completado até o limite permitido para a comparação entre as rubricas, não foi possível nesse período levar todas as rubricas questionáveis à verificação na Matéria Médica. Portanto, nós acreditamos que o homeopata irá seguir a mesma trilha na utilização das rubricas questionáveis que não foram verificadas conforme ele for selecionando o simillimum entre os medicamentos similares; esse conselho significa: vá para a Matéria Médica. Algumas dessas rubricas são vistas quando existe uma analogia próxima, de maneira a permitir à rubrica o significado mais amplo possível. Sempre que houver uma preferência de escolha de uma rubrica em relação à outra, isso é indicado por uma estrela. Sugere-se que quando for encontrada uma rubrica com título incorreto, que a correção seja feita no próprio livro.

Outra limitação, se é que pode-se chamar de limitação, é o fato de que inúmeras rubricas que aparecem sob o título de Agravações poderiam aparecer como Sensações e Queixas para um proveito ainda maior. Alguém pode imaginar, por exemplo, porque Morte Aparente (Asfixia) que é tão diferente em seu raciocínio de (modalidades surgidas de efeitos de) Fumos Arsenicosos e o último ser encontrado em Agravações. A lista de anexos deve ser utilizada como se estivesse listada em Sensações e Queixas, e pode ser utilizada assim de acordo com o discernimento do analista do repertório. É claro que em alguns casos eles podem ser considerados como adicionais no caso de agravações verdadeiras.

A maior limitação no uso de qualquer repertório é a falta de compreensão daquele que pretende utilizá-lo. Portanto, não se pode enfatizar muito o valor de seu uso constante: folheie as páginas e você ficará inteirado das diretrizes gerais e das rubricas particulares. Somente dessa maneira você poderá aprender a localizá-los prontamente. Como em todos os repertórios onde existem rubricas que cobrem um sintoma em seu sentido mais amplo, e com sub-rúbricas modificadas, nós vemos uma discreta confusão de distribuição. Como ilustração vamos observar no título Pele, esse grande grupo sintomático que são as Erupções abrangendo oito páginas. Sob esse título surgem várias formas de exantemas, varicela, sarampo, escarlatina, rubéola; e também escabiose, urticária, abscessos, carbúnculos, e muitas variações dos sintomas objetivos e subjetivos da erupção.

Em um sentido amplo nós podemos utilizar as rubricas listadas como Eczemas para cobrir as erupções eczematosas.

É bom decorar e comparar as seções sobre Erupções, Excreções, e Eczema (Tetter), quando formos buscar determinados sintomas. Nós encontramos Eczema (SaltRheum), por exemplo listado na seção de Úlceras.

Se dispendermos tempo para entender esse pequeno trabalho, devemos considerá-lo farto material, baseado solidamente na rocha da filosofia homeopática, apesar dos erros que surgiram de tempos em tempos para macular o conceito da perfeição.

Adaptabilidade

O manual (Pocket Book) teria sido de uso comparativamente menor como repertório geral se não fosse a adaptabilidade através da qual os princípios gerais instituídos pela aguçada mente analítica C. von Bönninghausen puderam ser postos em prática para cobrir a maior amplitude de sintomas possível.

Vamos primeiro considerar a adaptabilidade daquele pequeno capítulo sobre as Relações dos Medicamentos. Nós o consideramos útil no caso agudo, e também no caso crônico.

Suponha que no caso agudo, tenhamos sintomas que aparentemente nos guiem para determinado remédio, mas assim mesmo não estamos convencidos de que esse medicamento seja o mais indicado. É possível selecionar uma ou duas rubricas principais, descartando aqueles remédios que obviamente não são indicados nesse caso, e confrontar as rubricas principais com uma ou duas modalidades predominantes, ou alguma outra peculiaridade importante do caso. Isso pode ser feito rapidamente a cabeceira do paciente, com excelentes resultados.

Mais uma vez, suponha que sejamos chamados para um caso após o estágio agudo inicial. Aí segue um caso que aparentava ser um simples resfriado em uma criança de três anos sob os cuidados de um excelente homeopata Hahnemaniano, com o quadro clínico indicando Belladona; mas Belladona falhou e a criança estava atingindo temperaturas diárias máximas de até 41º C. As glândulas da garganta estavam envolvidas, inflamadas e edemaciadas. Nesse período, outro homeopata esteve envolvido com o caso. Ainda parecia que Belladona estava indicada, apesar de apresentar alguns poucos sintomas que a contra-indicavam.

Após a criança ter sido reavaliada cuidadosamente e nenhuma indicação segura ter sido estabelecida, , o caso foi analisado através do capítulo de Relações, sob o medicamento Belladona. Somente os medicamentos com grau 3,4 e 5 relacionados a rubrica Mente foram tomados (com exceção de Chamomilla, devido a sua peculiar adaptabilidade à vida da criança) e outras rubricas sob Belladona foram confrontadas. O resultado é mostrado aqui:

Belladona

Apis........454.412358/28
Bapt. ......443... 1147/18
Bry. .......3444.324549/33
Cann-i. .....533...2.146/18
Cham. ......233...23437/20
Lyc. .........4445342.394/33
Op. .........4 3 3 .........3
Puls. .........3554455555 10/46
Rhus-t .......434 .. 524448/30
Sulph. .......3 5 5 4 2 4 4 4 4 4 10/39

Suponha que tivéssemos pego a primeira rubrica de Glândulas e tivéssemos selecionado entre aqueles remédios relacionados com Belladona nas afecções glandulares. Nós teríamos achado (no 4’s e 5’s) Arnica, Bryonia, Lycopodium, Mercurius, Phosphorus, Pulsatilla e Sulphur. Examinando todas as dez rubricas nós teríamos descartado Arnica; Mercurius 9/37 e Phosphorus 10/34 teriam sido adicionados ao nosso grupo atingindo um grau suficiente para consideração, mas mesmo com essas adições, Pulsatilla lidera todos os outros.

Um estudo de Pulsatilla confirmou a escolha e o medicamento foi indicado. Em três dias a temperatura voltou ao normal, caindo gradativamente, neste período as glândulas retornaram ao tamanho e sensações normais, e a criança rapidamente recobrou as forças e seu interesse normal no mundo.

Foi particularmente prazeroso saber que um dos especialistas de uma conhecida universidade do Leste deu um prognóstico de oito a dez semanas para a melhora da febre, já que “nada poderia ser feito” nesses casos.

Em um caso onde a queixa principal do paciente estiver relacionada aos Ossos, ou à Pele, nós devemos selecionar nosso remédio por essas rubricas, sob o remédio que primeiro tenha sido indicado no estado agudo.

Ou, quando tivermos trabalhado um caso crônico, e todos os benefícios possíveis tiverem sido abrangidos pelo remédio selecionado como simillimum, nós temos a oportunidade de levar em consideração um grupo relacionado de medicamentos que levarão o paciente à cura completa. Lembre-se de que agora estamos falando de casos crônicos de longa duração, com freqüência irremediavelmente atrapalhados por condições erradas de moradia e tudo o que a chamada medicina científica pode fazer por eles. Nós não podemos esperar que todos eles respondam 100% ao remédio mais cuidadosamente selecionado; talvez devido a Matéria Médica ser incompleta, ou nosso conhecimento incompleto ou por uma tomada de caso imperfeita, nós tenhamos sido incapazes de selecionar o simillimum, mas um remédio com um grau de similaridade muito próximo. Nesses casos devido a uma delimitada falta de conhecimento disponível, nós freqüentemente ziguezagueamos um caso em direção à cura. Novamente, em algumas condições mais sérias como uma tuberculose avançada, nós não nos arriscaremos a dar o medicamento indicado, porque está muito profundamente ativo, e devemos dar um remédio que vá de encontro às condições do paciente mas que não vá movimentar demasiadamente a energia vital enfraquecida. Aqui, o remédio complementar é freqüentemente chamado a agir e pode ter uma ação tão renovadora que consiga colocar o paciente em uma condição onde ele possa tolerar a ação de um medicamento mais profundo; e responder favoravelmente a ele.

Após termos trabalhado em um caso tão complicado, e ter avaliado a capacidade reacional do paciente, nós estamos aptos a considerar as relações entre o remédio que selecionamos como simillimum e aqueles que surgiram através da análise em grau correspondente.

Considerando a adaptabilidade desse pequeno trabalho, nós devemos primeiro saber os conteúdos do livro, as rubricas lá encontradas; e então devemos ser capazes de traduzir os sintomas do paciente em linguagem repertorial. Imagine que o paciente esteja se queixando de uma sensação de peso no peito. Nós não encontraremos essa rub