Uma Contribuição ao julgamento concernente ao Valor Característico dos Sintomas

Por Clemens Franz Maria von Bönninghausen
Apresentado por Sylvain Cazalet. Artigo original em Inglês. Traduzido por Maria Tereza Pennella Freire
Só agora, três anos após o extraordinário Congresso Homeopático ocorrido em Bruxelas, posso infelizmente comentar, a parca representação Alemã. Na última sessão desse encontro, após leitura de inúmeras propostas, minha resolução foi adotada, e apresentada como pergunta-prêmio, com concessão de dois anos para a solução da mesma. Esse ensaio premiado, como os jornais homeopáticos deram a conhecer, pretendia denominar-se “Tratado relacionado ao valor (característico) maior ou menor dos sintomas que ocorrem em uma doença, com o intuito de normatizar ou basear a seleção terapêutica do remédio”. A resposta a essa questão não estava limitada à Bélgica ou à França, mas era extensiva a todo o mundo médico, e foi recebida como matéria de suma importância. Contudo, a pergunta, apesar do aumento crescente da literatura homeopática, permanece sem solução. Esse silêncio que se estende há décadas, e que foi aceito muito liberalmente, parece justificar a dificuldade de solução da questão, apesar de todo o Homeopata se confrontar com esse questionamento diariamente, e ter que respondê-la. Pode não parecer muito apropriado para mim, o autor da pergunta, entrar no concurso como participante. Mas os velhos praticantes me perdoem por pelo menos tentar somar alguma contribuição para a solução, chamando assim atenção para a pergunta.
O ensino do Organon contém o cerne real apropriado para a resposta sobre esse assunto, e isso, é claro, merece ser a primeira coisa destacada. É encontrada no grande Parágrafo n.º 153 (5º edição), e é o seguinte:
Na procura de um remédio homeopático específico, i.e., nessa sobreposição entre os fenômenos da doença natural e a relação de sintomas dos medicamentos, de maneira a descobrir a potência mórbida correspondente em similitude ao mal a ser curado, os sinais e sintomas mais raros, estranhos e peculiares (característicos) do caso deveriam especialmente e exclusivamente ser observados, para que haja especialmente alguns sintomas na lista dos remédios aventados que correspondam a estes, se o remédio for o mais indicado para efetuar a cura. Os sintomas mais gerais e indeterminados, como falta de apetite, cefaléia, fraqueza, sono perturbado, desconforto, etc., em sua generalidade e indefinição merecem menos atenção, a não ser que sejam muito pronunciados, já que algo dessa natureza geral é observado na maioria das doenças e dos remédios.
Observa-se, entretanto, que cabe ao médico julgar o que são compreendidos como sintomas “mais marcantes, estranhos, raros e peculiares”, e pode realmente ser difícil tecer comentários sobre essa definição, que não deveria ser muito ampla, e facilmente compreensível; por outro lado deveria ser completa o suficiente para sua devida aplicação a todos esses casos. Será por esse motivo que somos incapazes de mostrar essa definição na literatura? Mesmo o que Hahnemann afirma no §86, e seguintes, contém somente exemplos que são fornecidos sem qualquer ordem sistemática, e são por isso pouco recomendados para memorização, um requisito que nesses casos costuma ser de fundamental importância.
Após revisar todo o material médico, alopático e homeopático como auxílio, lembrei-me que na idade média eles costumavam trazer esses assuntos à tona em forma de versos, de maneira a facilitar a memorização. O inteligente mundo moderno conhece, p.ex. a legislatura da Schola salernitana, datada do início do século vinte, retirada dos versos leoninos, como se supõe, por um certo John de Milão, dos quais algumas partes são citados até os dias de hoje. Mas apesar de não ter encontrado nela nada relacionado à proposta presente, encontrei algo que pareceu ser útil para autores de diferentes doutrinas. É um hexâmetro datado do mesmo período, mas derivado de escolas teológicas; ele é, na verdade, uma construção abalada, ainda assim contém resumida e completamente os vários momentos de acordo com os quais uma doença moral deve ser julgada de acordo com suas peculiaridades e intensidade. O verso é o seguinte: "Quis? quid? ubi? quibus auxiliis? cur? quomodo? quando?"
As sete rubricas designadas nessa máxima parecem conter todos os momentos essenciais necessários para a lista da imagem completa de uma doença. Permita-me, entretanto, adicionar minhas notas a esse esquema, desejando de que esse hexâmetro, originariamente criado para ser utilizado por teólogos, possa agora também ser impresso na memória dos Homeopatas e colocado em uso pelos mesmos.
1. Quis? (Quem?)
Como esperado, diz respeito à personalidade, à individualidade do paciente, deve ficar no topo da imagem da doença, já que a disposição natural se deposita nela.
A ela pertence, em primeiro lugar o sexo e a idade; seguido da constituição corporal e o temperamento; ambos, se possível, separados de acordo com o período de doença e o saudável. i.e. se existem diferenças entre esses dois estados. Em todas essas peculiaridades qualquer coisa que difira pouco ou quase nada do estado natural usual não requer muita atenção; mas qualquer coisa que difira de maneira estranha ou peculiar merece uma atenção proporcional. As variações maiores e mais importantes são encontradas principalmente no estado da mente e do espirito, devem ser investigadas cuidadosamente, se não forem somente muito estranhas, mas também de ocorrência rara, correspondem a poucos remédios. Em todos esses casos temos os mais variados motivos para sondar esses estados com a maior exatidão possível, já que neles os transtornos corporais retrocedem a base, e por essa razão oferecem poucos pontos para nos agarrarmos, para que possamos fazer uma seleção confiante do medicamento entre os selecionados.
O parágrafo 104 do Organon torna um dever do Homeopata o registro por escrito da imagem da doença, qualquer um que tenha adquirido uma certa facilidade nessa tarefa saberá facilmente como satisfazer esse requisito, e gradualmente adquirirá uma certa facilidade de penetração (aprofundamento), que se mostrará incrivelmente útil. Já que cada homem apresenta uma natureza individual diferente de qualquer outro, e cada remédio deve ser exatamente adaptado a essa individualidade, de acordo com os sintomas, que são capazes de produzir no homem total, assim, nessa primeira investigação corresponderiam a Quis (quem)? Inúmeros medicamentos são colocados de lado, justamente por não corresponder a personalidade do paciente.
A individualidade espiritual e a disposição do paciente aqui adquirem uma enorme importância, freqüentemente são os pontos decisivos na seleção do remédio, quando a doença envolvida for espiritual ou mental, e geralmente os dois distúrbios se apresentam tão interligados que os sinais de um unicamente recebem as características totais e definitivas do outro. Hahnemann realmente reconheceu a importância desses dois momentos desde o início, mas a necessidade de valorização dos dois em suas interconexões, somente reconheceu posteriormente em sua total extensão; posteriormente ele colocou os sintomas próprios a ambos, que nas primeiras patogenesias foram separados, um no início e o outro no final, imediatamente um após o outro nas “Doenças Cônicas”, um arranjo melhorado, que também é encontrado na Matéria Medica Pura mais recentes.
Muitas outras coisas pertencentes a essa rubrica, mas concernentes a individualidade corporal e apresentando, como se fossem, as características principais do quadro do paciente, são contidas nesses livros sob o título de “Generalidades”. Seria desejável e facilitaria muito o uso se tudo o que não fosse pertencente a isto fosse excluído, e o restante ser trazido para uma rubrica particular denominada “Individual” ou “Pessoal” de maneira que o corporal estivesse presente em um quadro separado, como foi feito a respeito do espiritual e mental.
2. Quid? (O Que?)
É claro que essa pergunta se refere a doença, i.e. a sua natureza e peculiaridades.
O fato de precisarmos primeiro conhecer um mal detalhadamente antes de sermos capazes de promover qualquer ajuda contra o mesmo, pode ser inquestionavelmente recebido como um axioma,. Esse alívio ocasional que pode ser concedido contra o mal, sem termos conhecido primeiro sua natureza, pouco refuta esse axioma devido ao fato de eventos inesperados ocorrerem freqüentemente fugindo de nossa capacidade de observação, que podem levar para o bem ou mal, já que nem a boa intenção, nem o conhecimento do médico pouco tem a ver com isso.
Mas esse axioma deve ser associado com outro, não menos verdadeiro ou importante, a saber: Devemos também saber e possuir os meios necessários para aliviar o mal quando este é reconhecido. Quando estes não estão disponíveis o anterior, é claro, não tem validade.
Desde o tempo de Hipócrates, portanto há mais de dois mil anos, muito foi feito a respeito desse primeiro ponto, e experienciamos um imenso progresso e esclarecimento desde os últimos século até hoje. O caminho da observação pura e da experiência, que durante muito tempo foi esquecido, e sobre o qual o velho Pai da arte de curar reuniu seu memorável material, foi novamente penetrado. Ao mesmo tempo nossos contemporâneos possuem e utilizam a grande vantagem de se apoiar nos ombros de seus predecessores, possuir um amplo círculo de visão, e especialmente esse estupefaciente progresso obtido em todas as ciências subsidiárias, especialmente em química e anatomia; também possuem a vantagem que lhes foi oferecida por muitos instrumentos físicos, que tem sido usados com cuidado e diligência. Isso significa que a escola fisiológica moderna, e ao mesmo tempo, o diagnóstico das doenças, atingiram uma excelência indisponível aos nossos antecessores.
A única coisa da qual todo Homeopata tem a reclamar sobre o assunto, é que as coisas tem sido conduzidas de uma maneira muito generalizada para essa doutrina, e doenças praticamente universais são descritas e tratadas com o mesmo nome; estas diferem essencialmente em sua natureza e necessitam para sua cura medicamentos completamente diferentes.
Um resultado imediato desse ponto fraco é que os Homeopatas somente podem fazer uso limitado do grande avanço obtido pela escola dominante nos diagnósticos, já que sua generalização exclui todos os atalhos para o remédio indicado.
Agora, já que a Matéria Médica alopática moderna, assim como as antigas, se movimentam para a mesma generalização, a conclusão que se segue é a de que mesmo o alopata mais culto freqüentemente se vê indeciso na escolha de um medicamento, e praticamente cada um deles irá prescrever um medicamento diferente, e usualmente será compelido a misturar muitos de maneira a cobrir as muitas indicações.
Mais informações a respeito serão fornecidas no decurso desse pequeno tratado em local mais adequado, onde outras questões também serão discutidas. Aqui posso apenas comentar o assunto:
a. De que o diagnóstico mais invasivo e indubitável oferecido pelos melhores manuais alopáticos raramente é suficiente para permitir ao Homeopata fazer uma seleção certa do remédio, e que
b. Esse diagnóstico no máximo, e mesmo assim nem sempre, pode auxiliar na exclusão de todos os remédios que não correspondem ao gênio comum da doença, mas que parecem agir principalmente em outras partes do organismo.
3. Ubi? (Onde?)
O local da doença efetivamente faz parte da questão anterior, mas ainda assim merece ser mais enfatizado, já que freqüentemente provê um sintoma característico, e devido ao fato de cada remédio agir mais e também mais intensamente em determinada parte do organismo vivo.
Essas diferenças são levadas em consideração nas doenças denominadas locais, e também naquelas que possuem nomes mais generalizados, como as que afetam o corpo inteiro, p.ex: gota e reumatismo. Já que nunca ou praticamente nunca todo o corpo está afetado na mesma proporção; mesmo no caso do paciente possuir somente lateralidade esquerda ou direita. Mas o exame da parte afetada é mais necessário e exigido quando o todo ao qual ele pertence é maior e descrito da maneira generalizada que os alopatas adoram. Nomes como cefaléia, dor nos olhos, odontalgia, cólica e outros não podem contribuir para uma escolha racional de um medicamento, mesmo quando o tipo da dor também é indicada.
É claro que individualização exata de Ubi é mais necessária nos transtornos locais. Todo Homeopata sabe por experiência o quão necessário é, ex. ao tratar uma odontalgia, selecionar um remédio que de acordo com as patogenesias efetuadas em pessoas sadias demonstrou sua ação no dente em especial a ser tratado. Entre os fenômenos mais peculiares e decisivos a esse respeito devemos enumerar especialmente as dores na parte superior das articulações dos dedos das mãos e pés, que sob tratamento alopático freqüentemente se mostram muito obstinadas, não infreqüentemente se tornam malignas e necessitam de amputação, e como tive a oportunidade de observar em dois casos, ter um desfecho fatal. Todo Homeopata conhece a eficácia de Sepia nas úlceras articulares, que não apresentam características distintas sob esse aspecto; quando esse medicamento é ingerido, sem qualquer aplicação externa terá um efeito certo. Remédios que correspondem a úlceras similares em outras partes do corpo nesses casos são completamente inúteis .
Se a prática da ausculta, percussão, uso do estetoscópio, esfigmomanômetro, etc., tivesse sido compreendida por Hahnemann e seus seguidores assim como por nossos jovens médicos, eles teriam feito um uso mais extenso sem dúvida dos mesmos para adquirir um conhecimento mais apurado dos transtornos internos. Teriam encontrado em distúrbios pulmonares, ex. sinais locais definidos para o uso de certos remédios, e os teriam indicado mais acuradamente, e não os teriam limitado definindo que seriam a esquerda ou direita, na base ou ápice. Modernizar e especificar mais cuidadosamente pode ser uma das principais tarefas para aqueles que fazem patogenesias adicionais no presente momento, e promover um enriquecimento fundamental e complementar de nossa Matéria Médica, muito mais importante do que todo o volume de confirmação dos sintomas antigos, ou o descobrimento de novos, que na maioria carecem de individualidade.
Ao mesmo tempo será reconhecido pelo lado alopático que a delimitação aproximada da parte afetada, mesmo no momento da conclusão do diagnóstico, não terá utilidade para o tratamento alopático, devido ao fato desta escola não estar familiarizada com as peculiaridades dos vários medicamentos. Nenhuma Matéria Médica alopática dispõe de informações de que este ou aquele remédios corresponde mais ao lobo anterior ou posterior do fígado, mais à parte superior ou inferior dos pulmões, ao lado direito ou ao esquerdo, de acordo com a qual o remédio possa ser escolhido. Mesmo que nós Homeopatas ainda não conheçamos todos os remédios, conhecemos características de muitos deles, e para o que fica faltando, acharemos substitutos através dos outros sinais, já que, como sabemos, todos eles correspondem ao remédio a ser selecionado, ou pelo menos não devem ser opostos a ele. Dali pode se observar que essas novas invenções, sem subestimar-lhes o valor, apresentam um valor muito menor na direção terapêutica do que no prognóstico, onde mostram a extensão e a natureza perigosa da doença.
Finalmente, devemos considerar nessa questão que nem mesmo as alterações internas, que podem ser determinadas pôr esses instrumentos, nem as mudanças materiais externas, que se manifestam abertamente, jamais representam a própria doença dinâmica, mas somente seus produtos, que somente se desenvolvem no decurso da doença. Quando, portanto, as perturbações iniciais são contidas por um medicamento adequado antes que esse tipo de desorganização tome conta, então esses últimos (os produtos) não se desenvolverão, e será um procedimento imperdoável a permissão do avanço destes a um ponto em que essas alterações materiais possam ser reconhecidas de maneira artificial. Havia necessidade de mencionar isso, brevemente, de maneira a mostrar como a Homeopatia funciona, e negar muito veementemente que a Homeopatia seja um método meramente expectativa, que permite a evolução da doença sem obstáculos até que seja tarde para algum auxílio. Pelo contrário, a Homeopatia sabe e usa em doenças infecciosas remédios profiláticos, que são sempre e exclusivamente aqueles que tem o poder de curar a doença, e eles nunca omitem seu uso para a proteção dos contactantes.
4. Quibus Auxiliis? (Por Que Meios?)
Se o hexâmetro que estamos seguindo tivesse sido originariamente escrito para nossa doutrina, provavelmente uma expressão mais apropriada teria sido utilizada nesse caso, ex. quibus sociis (em companhia do que) ou quibus comitibus (o que o segue)? De qualquer maneira o nome não importa, e seu significado se refere aos sintomas que acompanham.
Já que na Homeopatia o objetivo básico consiste na apuração do remédio mais correspondente a totalidade sintomática, é evidente que esse ponto é de suma importância e merece a maior consideração.
Em cada doença existe um número maior ou menor de sintomas presentes em seu fenômeno, e é somente sua totalidade que representa a imagem completa. Essa imagem pode ser comparada a um retrato que só pode apresentar semelhança peculiar quando todas as características do original estiverem fielmente presentes ali. Não é suficiente que boca, nariz, olhos, orelhas, etc., estejam presentes de maneira a caracterizar um homem, e o distinga de um macaco ou outros animais, já que todas as fisionomias humanas possuem suas peculiaridades que as distinguem de todas as outras, portanto, também aqui as anomalias mais pronunciadas devem ser reproduzidas o mais confiávelmente possível e a elas ser dado o devido destaque. Se, por um acaso, permanecendo na comparação anterior, o nariz o nariz tivesse um formato, tamanho ou cor peculiar, não seria suficiente apresentá-lo sozinho, apesar de ser real, e adicionar todo o resto de acordo com a imaginação, também as partes secundárias, que formam a base devem representar o todo como ele existe na realidade, de maneira a fornecer a perfeita semelhança.
É a partir desse ponto de vista que os transtornos concomitantes devem ser observados quando selecionamos um medicamento de acordo com a máxima: Similia Similibus. A partir daí fica evidente que os sintomas raros, estranhos e peculiares que os representam merecem um lugar mais proeminente do que os comuns, porque é neles principalmente, mas não exclusivamente, que a similitude se baseia.
Disso naturalmente se depreende que o valor dos sintomas concomitantes para a proposta aqui intentada varia amplamente. Mas transcenderia muito a proposta dessa contribuição a adição e explicação de todas as inúmeras categorias de valor. Devo me limitar a apresentação de alguns dos pontos mais importantes aqui envolvidos:
Em primeiro lugar, os sintomas encontrados na maioria das doenças podem ser deixados de lado, a não ser que se manifestem de maneira peculiar.
O mesmo diz respeito aos transtornos que não costumam aparecer constantemente como concomitantes, pelo menos não usualmente na doença em questão, a não ser que sejam diferenciados por alguma rara peculiaridade e nesse aspecto ofereçam algo característico.
Por outro lado, todos os sintomas concomitantes devem ser cuidadosamente observados quando (a) raramente aparecem em conexão com a doença principal, e são portanto raramente encontrados nas patogenesias; (b) aqueles que pertencem a outra esfera da doença, outra que não o transtorno principal, e (c) por último, aqueles que apresentam sinais mais ou menos característicos dos remédios, mesmo no caso deles não terem sido notados na presente justaposição.
Agora se junto a isso, entre os últimos sintomas concomitantes mencionados existir um ou outro no qual o gênio de um dos remédios possa estar claramente apontado, esse sintoma deve adquirir uma importância tal que sobrepuje aqueles do transtorno principal, e muitos serem considerados imediatamente os mais indicados. Esses sintomas seriam incluídos entre aqueles que Hahnemann chama de “sinais raros, estranhos e peculiares (característicos)”, e são então “unicamente considerados” porque conferem a doença uma característica individual.
Uma circunstância aqui merece particular menção pois demonstra a importância e valor dos sintomas concomitantes, a saber, alguns remédios parcialmente específicos muito eficientes em determinadas doenças foram exclusivamente descobertos através destes, outros sintomas que indicavam a doença principal não haviam apontado naquela direção nem poderiam ter dado essa indicação, porque seus sinais observáveis não poderiam suficientemente indicar a real peculiaridade da doença. Esse mesmo sistema de sintomas concomitantes também fornece a Homeopatia uma certeza muito maior no tratamento de doenças se comparada a alopatia, que primeiro constrói para si um diagnóstico freqüentemente perceptivo da doença, somente apontando o gênio desta, e onde existem importantes sintomas concomitantes se esforçam adicionando ao remédio indicado para o gênio da doença outros remédios para cobrir os transtornos concomitantes.
5. Cur? (Por Que?)
Por que? As causas da doença desempenham um importante papel nos livros de patologia, e com justiça. Mas grande parte deles apenas tenta adivinhar ou explicar , o que na maioria das vezes apresenta um valor nulo ou muito subordinado no tratamento adequado da doença, e que estão muito afastados de nossa doutrina, que é dirigida puramente para a prática.
As causas das doenças são em sua maioria generalizadas e, portanto, muito apropriadamente divididas em internas e externas.
As causas internas propriamente ditas estão relacionadas a disposição natural geral, que em alguns casos deriva de uma hipersensibilidade (idiossincrasia). As causas externas ou ocasionais abrangem tudo o que, ao haver predisposição interna a doença, pode produzir doença.
A disposição natural geral que também é denominada de causa imediata, realmente pertence à primeira pergunta (Quis?) que diz respeito a individualidade do paciente. Somente pertencem aqui as conseqüências de uma doença anterior que podem haver modificado a disposição original natural, e por isso merecem menção.
A causa ocasional, entretanto, é assunto da presente questão e merece maior consideração. Para a disposição natural modificada por doenças prévias, isso também depende da natureza miasmática crônica dessas doenças que não foram exterminadas, entre as quais de acordo com os ensinamentos de Hahnemann muitos Homeopatas ainda nos dias de hoje denominam psora, sífilis ou sicose, ou são derivadas dos efeitos remanescentes ou tardios de doenças agudas, quando não pertencem aos anteriores, como ocorre freqüentemente, constituem a enorme classe de doenças medicinais ou envenenamentos. Não infreqüentemente, entretanto, vemos que nesses casos ambas a probabilidades contribuíram para a ruptura da saúde natural, produzindo a partir daí uma doença monstruosa com raízes muito mais profundas e de difícil combate.
Para o reconhecimento e tratamento das primeiras doenças miasmáticas mencionadas e suas complicações o próprio Hahnemann em seu magnífico trabalho sobre as Doenças Crônicas nos legou as direções mais completas fundamentadas em inúmeros anos de experiência. A muito disputada divisão de remédios em antipsóricos e não- antipsóricos não necessita ser considerada aqui. É suficiente saber que os anteriores excedem em muito os últimos em eficácia nas doenças crônicas, e que sua origem não os exclui do uso em doenças agudas. A experiência também nos ensinou que remédios adicionais de nosso tesouro médico deveriam ser citados nessa categoria e não foram discutidos nesse excelente trabalho. Somente lamento o fato de Hahnemann não ter sido capaz de cumprir a promessa escrita a mim feita de que iria detalhar mais exaustivamente e completamente as imagens da sífilis e da sicose com sua costumeira maestria no trabalho acima mencionado (Vol. 1, p.58 da Segunda Edição) da mesma maneira que fez a respeito a psora latente e manifesta. Mesmo que possamos acreditar no que algumas pessoas zombeteiramente denominam de Teoria da Psora de Hahnemann, ou rejeitá-la, os praticantes atentos devem freqüentemente encontrar casos onde o remédio corretamente escolhido, em algumas doenças agudas, não obteve o efeito esperado antes de um dos muito criticados antipsóricos – freqüentemente Sulphur – ter sido ministrado, ou um anti-sifilítico ou anti-sicótico, quando a sífilis ou a sicose estiveram presentes antes e permaneceram incuráveis. Deve ser confessado, entretanto, que uma das tarefas mais difíceis para o médico é a de escolher entre os antipsóricos, já que a maioria deles apresenta os mesmos sintomas e poucos sintomas verdadeiramente característicos são encontrados nos diferentes remédios. É necessário para o Homeopata estudar continuamente essa listagem de sintomas e compara-los entre si de maneira a poder fazer uma escolha de ouro quando necessário.
Doenças medicamentosas e envenenamentos estão na mesma linha e não nos faz diferença motivo pelo qual uma pessoa foi privada de sua saúde por meio de uma substância danosa a seu organismo; entre essas substâncias, remédios e venenos tem seu espaço. É claro que é sempre importante saber em cada caso o medicamento ou o veneno, de maneira a poder ministrar um antídoto bem conhecido. Os envenenamentos simples podem ser muito facilmente reconhecidos por seus efeitos! Teria sido necessário somente um caso de envenenamento ante os olhos de um Homeopata para que ele reconhecesse os efeitos do Arsenico, que ainda permanecem desconhecidos aos médicos alopatas, como no caso dos trinta assassinatos de Gessina Timme em Bremen, até que os fatos fossem obtidos. Nas doenças medicinais isso é muito mais difícil, porque muito freqüentemente um medicamento nunca é administrado sozinho, mas misturado com inúmeros outros; não é possível, portanto obter uma imagem clara e definida. Nesses casos, então, é necessário, já que é desejável e facilita o tratamento, se pudermos tomar ciência dos fatos precedentes, e medicamentos prescritos. Posteriormente isso pode ser útil, conforme a progressão do tratamento, e os prontuários de muitos Homeopatas apresentam uma rubrica especial para esse assunto. Devemos considerar esses sintomas denominados anamnésicos, como sendo de fundamental importância nestas questões. Apesar das conseqüências ordinárias dessas circunstâncias e eventos morbíficos já estarem na sua maioria contidos na lista de sintomas dos medicamentos experimentados em pessoas sãs, a prática homeopática encurtou muito e tornou certo o tedioso e complicado caminho dessas investigações, e indicou para a maioria desses casos remédios que antes já haviam demonstrado sua utilidade nesses casos. Ou seja, p.ex. muito simplificado em casos de contusões, entorses, queimaduras e outros. Em outros casos, p.ex. nos resfriados, o assunto é um pouco mais complicado, já que o tipo do resfriado e da parte do corpo afetada oferece diferenças que apontam para diferentes remédios. Portanto existe uma grande diferença quando a pessoa somente foi exposta ao frio, se isso ocorreu quando a pessoa estava transpirando, ou se ao mesmo tempo ficou molhado. Portanto, sabe-se que diferentes remédios estão indicados quando partes internas (estômago, tórax, abdômen) foram expostas, ou meramente partes externas (cabeça, pés, costas), e deve ser cuidadosamente avaliado em cada caso. Tudo isso, como disse previamente é encontrado na Matéria Médica; mas quando se sabe que um resfriado na cabeça por exposição ao ar frio, após sair de um aposento aquecido, ou após ter cortado o cabelo, aponta para Belladona ou Sepia; ou após esfriado os pés para Baryta ou Silicea, e quando ao mesmo tempo os molhou, para outros remédios, então a atenção será primeiramente voltada para estes, e somente depois comparar com outros indicados caso os primeiros não estejam suficientemente adequados.
Finalmente, devemos ainda adicionar uma palavra sobre a questão das doenças infecciosas, sobre as quais lemos nos manuais coisas contraditórias e não confiáveis; a influência desses ensinamentos tem uma extensão muito mais abrangente do que realmente se supõe. Para encarar essas doenças, que freqüentemente se disseminam a quadros calamitosos, o Homeopata possui a profilaxia mais correta e aprovada, e esta, realmente, é a mesma que apresenta o poder de cura contra a doença em desenvolvimento. Portanto, quando encontramos em uma família um caso de infeção por febre tifóide, ali o mesmo remédio, que foi ministrado ao paciente de acordo com seus sintomas, certamente também irá proteger os demais membros da casa da infeção, já que destrói a disposição natural e irá restabelecer no menor período de tempo aqueles nos quais possam ter surgido os primeiros sintomas da doença. Esse fato apresenta primordial importância já que no início a doença apresenta poucos sintomas e nenhuma escolha certeira pode ser feita; mas ao sabermos o fator causal preenchemos a lacuna que faltava. É claro que essa cura não é tão brilhante como a do paciente que está a beira da cova, mas o ganho para ele e para a consciência do médico é a real recompensa.
6. Quomodo? (Como?)
Com base em sua etimologia, essa preposição descreve excelentemente a essência e a abrangência da questão a nossa frente. A palavra Modus na antigüidade não somente se refere a maneira e modo em geral, mas também a todas as modificações que podem surgir em qualquer coisa, a saber medidas, regras, objetivos, relações, alterações, etc.; portanto qualquer coisa, com exceção do horário, que está incluído em nossa última questão (Quando), que possua a habilidade de produzir modificações, agravações ou melhorias no paciente, naturalmente pertence, de acordo com o uso da linguagem, a essa rubrica. Essa questão possui uma importância dupla para Homeopatia, primeiro porque foi descoberta e desenvolvida por Homeopatas, sendo portanto de sua exclusiva e indubitável propriedade, e segundo porque todos os resultados das experimentações e da experiência, sem exceção, pertencem aos sinais mais ou menos característicos, entre quais nenhum deve ser motivo de indiferença, mesmo aqueles de conotação negativa.
A alopatia nunca prestou qualquer atenção, ao que poderia ter sido útil para o tratamento, a esses momenta (elementos essenciais, constituintes). Ao menos, seus manuais de Patologia, Terapêutica e Matéria Médica nada contém de importante referente a esse assunto. A Homeopatia, por outro lado, logo após sua descoberta, reconheceu seu grande valor terapêutico, e encontramos seus primeiros traços claros no “Fragmenta de viribus medicamentorum positivis” de Hahnemann, que foi publicado em 1805. Mas durante o desenvolvimento progressivo de nossa ciência sua importância surgiu mais manifesta, e foi rapidamente declarada indispensável, de modo que nas últimas patogenesias a atenção estava mais voltada para eles. Por esse motivo, as ultimas patogenesias são as mais completas, com exceção àquelas feitas por Hahnemann na Matéria Médica Pura, as quais foram elaboradas com especial cuidado, e devido ao seu constante uso acompanhado de inúmeras anotações.
Se compararmos a lista de sintomas dos medicamentos que foram experimentados completamente, mesmo uma pesquisa superficial mostrará que encontramos em quase todas as indicações gerais de praticamente todas as doenças; cefaléia, cólica, dor torácica, diarréia, constipação, assim como dispnéia, dor nos membros, febre, transtornos cutâneos, etc., não estão de maneira alguma ausentes. Mas se estudarmos essas indicações de maneira mais próxima, com relação a partes especiais do corpo e às diferentes sensações, então realmente diferenças aparecerão, e freqüentemente descobrirmos sintomas que surgem mais freqüentemente em um remédio e estão totalmente ausentes em outro. Mas o número continua muito grande para evocar uma decisão certa e indubitável, e rapidamente sentimos necessidade de pontos adicionais seguros e indubitáveis nos quais podemos verdadeiramente encontrar o verdadeiro simillimum entre os remédios listados. Mas se juntamos Quomodo com Quando geralmente o mistério se satisfaz de maneira satisfatória, e não somente remove qualquer dúvida como também fornece a prova para a solução que antes supomos ser a certa. Nessas investigações e comparações devemos também, como na precedente, obter um ponto de vista especial, é obvio. Não é suficiente, p. ex., meramente considerar movimento em relação ao resto do corpo, ou da parte afetada, devemos considerar o movimento contínuo e insipiente, assim como os variados graus de movimento. O mesmo se aplica ao ato de deitar, não devemos considerar somente a posição (de costas, de lado, dobrado, horizontal, etc.), mas também a agravação da parte afetada deitando sobre a mesma ou do lado oposto a ela; tudo isso deve ser investigado e adequado ao remédio.
Uma grande parte dessa rubrica é ocupada pela parte dos alimentos e bebidas, e isso não diz respeito somente as doenças dos órgãos digestivos, mas também às febres e outras afeções internas e externas. Aqui não é somente a quantidade do apetite, ou sede, aos quais a alopatia (em alguns casos) atribui uma certa importância, mas especialmente às aversões ou desejos por determinadas comidas ou bebidas, e mais especialmente também às condições após a ingesta de determinado tipo de comida que freqüentemente nos dá pistas sobre o remédio a ser selecionado. Todo Homeopata experiente prestará a maior atenção a esse assunto, e muito desejavel que qualquer coisa que alguém tenha descoberto sobre esse assunto deva ser coletado e publicado.
Foi mencionado acima, brevemente, que mesmo os sinais negativos, desde que pertencentes a essa rubrica, não deveriam ser negligenciados. Um exemplo demonstrará o que isso significa: quando um paciente, a cuja condição parece adequado Pulsatilla de acordo com as cinco questões precedentes, se sente melhor quando descansa em quarto aquecido, enquanto se sente desconfortável em ar livre e frio, também gosta de comidas gordurosas e as suporta bem, ou oferece outras peculiaridades que estão em conflito com as características de Pulsatilla, isso nos ofereceria uma grande dúvida na aplicabilidade desta no caso e deveríamos procurar outro remédio que também correspondesse aos sintomas.
Sinto que o espaço para essas contribuições, que de nenhum modo parecem ter sido amplamente estendidas, não me permita entrar em muitos detalhes em um ou outro assunto pertencente a essa divisão, já que posso confessar abertamente que considero as indicações obtidas dessa e das questões seguintes as mais importantes, indubitavelmente, e portanto decisivas para a proposta terapêutica. Mesmo as inúmeras classes de ações reflexas, praticamente todas caem nessas duas rubricas, não por suas contradições internas diminuem sua importância, já que sabemos de seu valor mútuo, e estão, portanto, aptos a estimar apropriadamente o valor de cada uma delas.
7. Quando?
Essa última questão diz respeito ao horário de surgimento, agravação ou melhoria dos transtornos, e a ordem natural de evolução após a precedente, e dificilmente menos importante no tratamento do que a última.
Desde Hipócrates e seus comentários até os nossos tempos muita atenção foi concedida aos períodos de tempo nas várias fases e estadiamentos da doença. Um esforço foi feito para fixar o período e a continuidade do início, progressão, ápice, declínio e final da doença. Isso poderia, realmente, contribuir para o reconhecimento e caracterização da doença. Mas somente por acaso deve ser relegada e não modificada através de interferência médica. Não pode ser negado que não auxiliaria nada seleção do medicamento, se somente levarmos em consideração a alteração medicamentosa do curso natural da doença, o que freqüentemente fica fora de qualquer cálculo. Pelo menos eles podem ser vantajosos para o tratamento alopático, porque falta qualquer critério que indique um ou outro. Espero não ouvir aqui qualquer objeção como, p.ex. Os retornos periódicos de uma febre apontam uma febre intermitente real ou dissimulada e portanto indicam o quinino em suas várias preparações; acredito que não encontremos um só Homeopata que em sua prática não tenha tratado vítimas desse erro.
A Homeopatia pretende algo diferente a respeito dessa questão, não apresenta nada em comum com a precedente. Mas está preocupada com dois momentos que apresentam um efeito imediato na escolha do medicamento, a saber, (a) os retornos periódicos dos sintomas mórbidos após uma cessação longa ou curta, e (b) as agravações e melhorias dependendo do horário do dia. Essas duas necessitarão de algumas palavras.
O retorno periódico dos fenômenos mórbidos freqüentemente coincidem com períodos de tempo que carreiam consigo causas particulares ocasionais. Entre as mesmas devemos enumerar os transtornos menstruais, assim como aqueles condicionados pelas estações, tempo, etc. Nos casos onde essas causas secundárias não podem ser descobertas, e isso se dá na maioria dos casos, e as crises não ocorrem em períodos próximos o suficiente para determinar uma periodicidade, eles não apresentam valor terapêutico para o Homeopata já que carecem de qualidade para uma indicação precisa.
Mas apresentam maior importância as agravações e melhorias restritas a um horário particular do dia, e isso em relação àquelas referentes a sintomas únicos ou à saúde em geral. A esse respeito a Homeopatia possui um tesouro de enorme valor derivado das experimentações que tem sido ampliadas com observações cuidadosas. Quase não existem doenças, das febres intestinais malignas às febres derivadas de transtornos locais, nas quais não exista um horário do dia no qual elas se manifestem com maior ou menor intensidade e agravações e melhorias distintas. Agora, já que os Homeopatas aprenderam essas peculiaridades dos inúmeros medicamentos durante suas patogenesias em pessoas saudáveis, eles estão aptos a fazer uso extensivo e abençoado dessas peculiaridades em seus tratamentos, e estão obrigados a agir dessa maneira para cumprir a lei Similia similibus também a esse respeito.
Para demonstrar o precedente com alguns fatos especiais, somente adicionarei aqui a importância que o horário do dia tem em relação às tosses no tocante a expectoração, assim como a respeito da facilidade com que ela é expelida, assim como sua consistência e gosto. Conhecemos algo similar em relação as fezes, e apesar da maioria dos remédios apresentar diarréia entre suas indicações, somente conhecemos dois (Conium e Kali carbonicum) cuja diarréia ocorre somente de dia e não durante a noite.
Com respeito aos transtornos que apresentam um retorno típico, independente de outras causas, temos uma considerável série de medicamentos correspondentes, sem com isso excluir os outros, quando são indiscutivelmente indicados por seus sintomas. Somente em casos nos quais esse retorno é indiscutível e definitivamente pronunciado, como por exemplo, todo anoitecer das 4 às 8 horas (Helleborus e Lycopodium), ou exatamente na mesma hora (Ant-c, Ign, Sabad), devemos dar uma importância especial e somente estar atentos a que não hajam contra-indicações.
Concluo essas contribuições, que somente rascunhei, com a esperança de poder ter adicionado uma luz na diferenciação entre a Alopatia e a Homeopatia e incitar meus colegas em sua função de tratar desses temas mais a fundo, mesmo que isso seja feito a respeito de cada uma das questões por vez.
Clemens Franz Maria von Boenninghausen
Allgemeine Homoeopathische Zeitung, Vol. 60, p. 73
Tradução do alemão por L.H. Tafel, 1908
Copyright © Sylvain Cazalet 1999